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Guerra na Ucrânia e inflação mergulham milhões de crianças na pobreza, alerta Unicef

17-out 11:26
2 min
Créditos da imagem: AFP

A guerra na Ucrânia e a consequente inflação mergulharam milhões de crianças na pobreza na Europa Oriental e na Ásia Central nos últimos meses, alertou um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) publicado nesta segunda-feira (17). São mais de “quatro milhões de crianças na pobreza, um aumento de 19% desde 2021”, aponta o estudo.

As crianças representam quase 40% das 10,6 milhões de pessoas a mais na pobreza este ano, detalha o estudo, que abrange 22 países. Com o acréscimo de 2,8 milhões de crianças na pobreza, a Rússia responde por três quartos do aumento total registrado pelo Unicef.

Isso se explica tanto por sua alta população quanto pela queda de 8% do PIB russo estimado pelo Unicef, o segundo pior número dos países analisados. “As repercussões do conflito na Ucrânia são extremamente importantes na Rússia, porque a guerra diminui o acesso a um certo número de produtos básicos”, diz à AFP Adeline Hazan, presidente do escritório da Unicef na França.

A Ucrânia aparece em segundo lugar, com aumento de meio milhão de crianças em situação de pobreza, seguida pela Romênia com 110 mil a mais. A Unicef pede que os governos “forneçam um apoio extremamente forte à proteção social e lancem programas de assistência para as famílias mais vulneráveis com crianças”, diz Adeline Hazan.

Quanto mais pobre é uma família, maior parte do orçamento é destinada a atender as necessidades básicas, como alimento e combustível. Com o preço desses produtos em alta, o dinheiro disponível para saúde e educação diminui. Consequentemente, as crianças mais pobres têm menos acesso a serviços essenciais e estão mais expostas a violência, exploração e abuso, alerta o estudo.

Este aumento da pobreza infantil na Europa Oriental e na Ásia Central pode ter como consequência a morte de 4.500 crianças antes do primeiro ano de vida e causar dificuldades de aprendizagem para 117 mil menores devido ao abandono escolar em 2022, segundo a Unicef.

(Com AFP)