Com o Bitcoin perdendo mais de 50% de seu valor desde o recorde de outubro, a colunista Jemima Kelly, do Financial Times, questiona se a crença inabalável dos entusiastas será suficiente para evitar o impacto final.
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A famosa metáfora do filme francês La Haine (1995) resume o atual estado de espírito do mercado de criptomoedas: um homem que cai de um prédio de 50 andares e, a cada andar, repete para si mesmo: “até aqui, tudo bem”. Segundo Kelly, os promotores do Bitcoin têm vivido sob esse mantra, ignorando que o importante não é a queda, mas o pouso.
Na semana passada, o “chão” parece ter aparecido rapidamente. O Bitcoin enfrentou seu pior crash desde 2022, chegando próximo aos US$ 60.000. O movimento apagou todos os ganhos obtidos desde a reeleição de Donald Trump e marcou uma desvalorização de mais de 50% em relação à máxima histórica de US$ 127.000 registrada em outubro passado.
Números de um colapso repentino
A magnitude da queda é evidenciada por dados de liquidação e balanços corporativos:
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- Liquidações recordes: Cerca de US$ 1,25 bilhão em posições de Bitcoin foram liquidadas em apenas 24 horas, entre quinta e sexta-feira.
- Prejuízos bilionários: A empresa MicroStrategy, de Michael Saylor — que detém cerca de 3,4% de todo o Bitcoin em circulação (713.000 BTC) — reportou perdas impressionantes de US$ 12,4 bilhões no quarto trimestre de 2025.
Esta semana mostrou que a oferta de “tolos maiores” da qual o bitcoin depende está se esgotando. Os contos de fadas que mantiveram as criptomoedas à tona estão se revelando exatamente isso: contos de fadas. As pessoas estão começando a perceber que não há um limite mínimo para o valor de algo baseado em nada mais do que ar.
O teste real: O “Presidente Bitcoin” não foi suficiente
O ponto mais crítico levantado por Kelly é o fracasso do cenário político “perfeito”. Donald Trump assumiu a Casa Branca com uma agenda agressivamente pró-cripto:
- Criou uma reserva estratégica de Bitcoin.
- Concedeu indultos a criminosos do setor cripto.
- Permitiu a inclusão de criptoativos em fundos de pensão (401k).
- Declarou o fim da “guerra contra as criptos” de seu antecessor.
Mesmo com o apoio direto do topo da estrutura política dos EUA, o Bitcoin não conseguiu sustentar seu valor. Para a colunista, isso sinaliza que, se o ativo não consegue prosperar neste ambiente ultra-favorável, seu futuro é incerto.
A escassez de “tolos maiores”
A tese central da análise é que o Bitcoin depende de um suprimento constante de novos investidores (a teoria do “tolo maior”). No entanto, a crença parece estar se esvaindo. Embora o preço tenha ensaiado uma recuperação para a casa dos US$ 70.000, o argumento é que as “histórias de fadas” que mantêm o ecossistema flutuando estão perdendo força.
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A conclusão de Kelly é um alerta: não existe um piso de valor para algo baseado apenas em “ar rarefeito”. O otimismo projetado pelos evangelistas do setor pode ser, na verdade, uma tática desesperada para manter o esquema funcionando enquanto o solo se aproxima.
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