A adoção global de IA cresce — mas a desigualdade cresce ainda mais; entenda

A adoção global de IA cresce — mas a desigualdade cresce ainda mais; entenda

Um novo relatório do AI Economy Institute, ligado à Microsoft, oferece um retrato revelador da difusão global da inteligência artificial (IA) no fim de 2025. Segundo o estudo, a adoção de ferramentas de IA atingiu 16,3% da população global em idade ativa, um avanço relevante em termos absolutos. No entanto, por trás desse crescimento está um dado mais inquietante: a distância entre países ricos e economias em desenvolvimento está aumentando.

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O documento mostra que inovação tecnológica, infraestrutura e adoção social seguem trajetórias distintas — e nem sempre caminham juntas.

Quem lidera a adoção (e quem ficou para trás)

Um dos dados mais surpreendentes do relatório é o ranking de adoção por país. Os Emirados Árabes Unidos aparecem como líderes globais, com 64% da população economicamente ativa utilizando IA de alguma forma no trabalho ou no cotidiano.

Já os Estados Unidos — berço de grande parte dos modelos de IA mais avançados e da infraestrutura computacional global — caíram para a 24ª posição, um contraste marcante entre capacidade tecnológica e adoção prática em escala nacional.

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O relatório reforça uma conclusão importante: liderar o desenvolvimento de modelos não garante liderança na adoção. Questões como políticas públicas, capacitação da força de trabalho, regulação e acesso cotidiano às ferramentas parecem pesar mais do que a simples presença de big techs no território.

O abismo entre o Norte e o Sul Global

O estudo aponta que países do chamado “Global North” adotam IA a uma taxa quase duas vezes maior do que economias em desenvolvimento. Em números, a diferença já chega a 10,6 pontos percentuais, um aumento significativo em relação a medições anteriores.

Essa lacuna não é apenas tecnológica — é econômica, educacional e estrutural. Enquanto países desenvolvidos integram IA em processos corporativos, educação e serviços públicos, muitas regiões do Sul Global ainda enfrentam barreiras básicas como conectividade limitada, custo de acesso e falta de treinamento.

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O risco, segundo o relatório, é que a IA amplifique desigualdades existentes, criando um ciclo em que países com maior adoção aceleram produtividade e crescimento, enquanto outros ficam estruturalmente para trás.

A ascensão silenciosa do DeepSeek

Um dos achados mais interessantes do relatório é o crescimento expressivo do DeepSeek em mercados historicamente subatendidos. O modelo apresenta uso entre 2 e 4 vezes maior na África do que em economias avançadas.

Dois fatores explicam esse avanço:

  1. Modelo gratuito e open-source, que reduz drasticamente barreiras de entrada;
  2. Parcerias estratégicas com a Huawei, que viabilizam infraestrutura e distribuição em regiões onde soluções ocidentais são caras ou restritas.

O crescimento do DeepSeek ilustra uma dinâmica crucial: acessibilidade pode ser tão importante quanto performance. Em muitos contextos, um modelo “bom o suficiente”, gratuito e localmente disponível, gera mais impacto do que sistemas de ponta inacessíveis.

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Inovação não é adoção

Talvez a principal mensagem do relatório seja a distinção clara entre inovar e difundir inovação. Países como os EUA continuam dominando o desenvolvimento de modelos, chips e plataformas, mas isso não se traduz automaticamente em uso amplo pela população ou pelas pequenas e médias empresas.

A adoção em larga escala exige políticas públicas, educação digital, confiança social e soluções ajustadas à realidade local — fatores que vão muito além da tecnologia em si.

Por que isso importa

À medida que a IA se torna um vetor central de produtividade e poder econômico, quem adota mais rápido ganha vantagem estrutural. O relatório da Microsoft deixa claro que o futuro da IA não será decidido apenas nos laboratórios do Vale do Silício, mas também na capacidade dos países de democratizar o acesso.

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A ascensão silenciosa do DeepSeek e o desempenho surpreendente de países fora do eixo tradicional sugerem que a próxima fase da corrida da IA pode ser menos sobre quem tem o melhor modelo — e mais sobre quem consegue colocá-lo, de fato, nas mãos das pessoas.

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