Nos últimos meses, as principais empresas de inteligência artificial, como OpenAI, Perplexity, Google e Microsoft, têm introduzido recursos inovadores que permitem aos usuários buscar produtos através de chatbots, com agentes autônomos capazes de concluir pedidos em nome dos consumidores. Essa tendência, segundo o Financial Times, está levando marcas e vendedores a repensarem suas estratégias de vendas online, especialmente em como seus produtos são identificados por sistemas de IA e recomendados por chatbots.
Os agentes de IA estão mudando a forma como os consumidores interagem com o e-commerce. Empresas como Profound, Refine e Algolia estão surgindo com soluções que monitoram a presença de marcas nas respostas dos chatbots. James Cadwallader, cofundador da Profound, destaca que o comportamento do consumidor está atingindo um ponto de inflexão, onde as pessoas podem deixar de visitar sites de e-commerce diretamente. Em vez disso, os consumidores interagem com “motores de resposta”, tornando os agentes os principais visitantes dos sites e da internet.
Os serviços de IA estão sendo cada vez mais utilizados como ferramentas de busca. Dados da Semrush indicam que quase 60% das buscas no Google na Europa não resultam em cliques, com os usuários confiando nos textos gerados por IA para obter respostas. Analistas da Gartner preveem que o volume de buscas em motores de busca tradicionais cairá 25% até o próximo ano, devido ao aumento dos chatbots e agentes gerativos.
Inovações no E-commerce com IA
O Financial Times ressalta que empresas de IA estão lançando serviços de e-commerce para aproveitar essas mudanças. A OpenAI, por exemplo, lançou uma versão atualizada de seu sistema de compras Operator, agora chamado Agent, que pode concluir tarefas dentro de um navegador web. O sistema é capaz de navegar em sites de supermercados, adicionar itens ao carrinho de compras e devolver o controle ao usuário para finalizar a compra.
O papel do SEO na era da IA
Para se destacar nos resultados gerados por IA, os anunciantes estão adotando técnicas específicas, como a criação de URLs mais longas com palavras-chave e a obtenção de menções em sites considerados mais autoritativos pelos bots. Nikhil Lai, analista da Forrester, ressalta a importância de descrições de produtos específicas e detalhes técnicos, como garantir que o site da marca carregue em menos de três segundos.
Hannah Chelkowski, cofundadora da Blank Ventures, observa que os varejistas estão vendo um aumento nas buscas semânticas em chatbots de IA, onde os usuários procuram por termos mais amplos, como “roupas para um casamento no sul da França”. Isso exige que os catálogos de produtos sejam reorganizados para incluir descrições textuais que correspondam a esse estilo de busca.
Privacidade e controle do consumidor
A Inrupt, uma startup cofundada por Sir Tim Berners-Lee, criador da World Wide Web, e John Bruce, visa devolver o controle dos dados pessoais aos consumidores, armazenando essas informações em uma carteira digital que o indivíduo pode escolher conceder acesso aos agentes e posteriormente remover. Bruce alerta que os agentes de IA marcam uma mudança para um mundo onde “lojas e marcas não contam mais” e a escolha do consumidor pode ser limitada à medida que o sistema seleciona produtos para eles.
A ascensão dos agentes de compras com IA está transformando o e-commerce, trazendo novas oportunidades e desafios para marcas e consumidores. À medida que a tecnologia avança, será crucial para as empresas se adaptarem rapidamente para se manterem visíveis e relevantes no mercado digital.
Este post foi modificado pela última vez em 3 de setembro de 2025 10:32
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