[gtranslate]

Inteligência Artificial

OpenAI entra na guerra dos chips e desafia Nvidia e Google na corrida pela infraestrutura da IA; conheça o Jalapeño

Publicado por
Isabella Caminoto

A OpenAI deu um passo que pode redefinir o equilíbrio de poder no setor de inteligência artificial (IA). Conhecida por criar o ChatGPT e liderar a corrida dos modelos generativos, a empresa agora decidiu disputar também o mercado de hardware, tradicionalmente dominado pela Nvidia e cada vez mais estratégico para gigantes como Google, Amazon e Microsoft.

Nesta terça-feira (24), a OpenAI revelou oficialmente o “Jalapeño”, seu primeiro chip proprietário desenvolvido em parceria com a Broadcom. O processador foi projetado especificamente para tarefas de inferência — etapa em que os modelos de IA respondem a perguntas, geram textos, imagens ou executam comandos dos usuários. A iniciativa marca o início de uma estratégia de longo prazo para reduzir a dependência da empresa em relação aos fornecedores externos de processamento.

O movimento representa muito mais do que o lançamento de um novo componente eletrônico. Trata-se de uma tentativa da OpenAI de controlar uma das partes mais valiosas e escassas da cadeia da inteligência artificial: o poder computacional.

O problema da dependência da Nvidia

Nos últimos anos, a Nvidia se tornou a grande vencedora da explosão da IA generativa. Seus processadores gráficos (GPUs) passaram a ser considerados essenciais para treinar e executar modelos avançados de linguagem, transformando a companhia em uma das empresas mais valiosas do planeta.

O sucesso, porém, trouxe desafios para empresas como a OpenAI. A demanda crescente por chips elevou os custos, criou gargalos de fornecimento e aumentou a dependência de poucos fornecedores. Em um cenário em que a capacidade computacional se tornou tão importante quanto os próprios algoritmos, depender exclusivamente de terceiros passou a representar um risco estratégico.

Por isso, a OpenAI vem buscando alternativas há algum tempo. Em 2025, a empresa já havia começado a utilizar TPUs (Tensor Processing Units) do Google Cloud para parte de suas operações, reduzindo sua dependência exclusiva das GPUs da Nvidia. Paralelamente, aprofundou sua parceria com a Broadcom para desenvolver um chip próprio.

Jalapeño: o primeiro passo de uma plataforma própria

Segundo a OpenAI, o Jalapeño não foi criado para substituir imediatamente toda a infraestrutura atual da companhia. Inicialmente, ele será utilizado em tarefas específicas de inferência, especialmente em aplicações ligadas ao ChatGPT e aos sistemas de programação baseados em IA.

O chip foi desenvolvido em apenas nove meses e já está sendo testado internamente. De acordo com informações divulgadas pela Broadcom, o desempenho do processador é comparável aos chips Blackwell da Nvidia e aos TPUs mais avançados do Google. Além disso, a solução promete ganhos importantes em eficiência energética e custo operacional.

A fabricação ficará sob responsabilidade da taiwanesa TSMC, principal fabricante mundial de semicondutores avançados, enquanto a integração dos sistemas será realizada pela canadense Celestica.

A nova disputa pela infraestrutura da IA

O anúncio da OpenAI reforça uma tendência que vem ganhando força no setor: as empresas de IA não querem mais depender exclusivamente de fornecedores externos para sustentar seus modelos.

Google já possui sua família de TPUs há anos. Amazon desenvolveu os chips Trainium e Inferentia. Meta investe pesadamente em aceleradores próprios para treinamento de modelos. Agora, a OpenAI entra definitivamente nessa corrida.

O objetivo é construir uma vantagem competitiva baseada não apenas nos modelos de IA, mas em toda a infraestrutura necessária para operá-los. Em outras palavras, a disputa está migrando do software para o chamado “full stack”: chips, redes, armazenamento, data centers e modelos trabalhando como um sistema integrado.

Essa estratégia também pode ajudar a empresa a controlar melhor seus custos. À medida que bilhões de consultas são processadas diariamente, pequenas melhorias de eficiência energética e desempenho podem representar economias de bilhões de dólares ao longo do tempo.

O que isso significa para o futuro da IA

Embora a Nvidia continue sendo a líder absoluta do setor e ainda forneça grande parte da infraestrutura usada pela OpenAI, o lançamento do Jalapeño sinaliza uma mudança importante no mercado. A empresa de Sam Altman não quer apenas construir os melhores modelos de inteligência artificial — ela quer controlar os computadores que os executam.

A iniciativa mostra que a próxima fase da revolução da IA não será definida apenas pela qualidade dos algoritmos, mas também pela capacidade de construir uma infraestrutura própria, eficiente e escalável.

Se a década passada foi marcada pela corrida dos modelos, os próximos anos podem ser lembrados como a era da guerra dos chips. E a OpenAI acaba de entrar oficialmente nesse campo de batalha.

Leia também:

Este post foi modificado pela última vez em 25 de junho de 2026 13:47

Isabella Caminoto

Advogada e mestranda em Direito Internacional, tenho a democracia e a liberdade como bandeiras irrenunciáveis. Sou apaixonada pelos animais e acredito que o bem-estar do nosso planeta deveria ser o destaque diário da pauta da nossa sociedade.

Posts recentes

OpenAI ajuda a desvendar doenças raras infantis e dá nova esperança a casos sem diagnóstico

Um dos maiores desafios da medicina moderna está nos chamados "casos sem resposta": pacientes que…

23 de junho de 2026

Argentina quer criar empresas comandadas por IA — e acende debate global sobre responsabilidade e poder

A Argentina deu um passo inédito na corrida global pela inteligência artificial (IA). O governo…

22 de junho de 2026

Data centers no espaço? Musk revela plano para levar a IA à órbita terrestre

A corrida global pela inteligência artificial (IA) acaba de ganhar uma nova fronteira: o espaço.…

14 de junho de 2026

Metade dos norte-americanos teme perder o emprego para a IA — e a ansiedade só aumenta

A inteligência artificial (IA) já deixou de ser uma promessa tecnológica distante para se tornar…

13 de junho de 2026

IA supera professores de Direito em estudo de Stanford e acende debate sobre o futuro da educação jurídica; confira

A inteligência artificial (IA) acaba de alcançar mais um marco simbólico na educação superior. Um…

9 de junho de 2026

IA tem custo ambiental maior do que se imaginava, alerta relatório da ONU

A inteligência artificial (IA) está transformando setores inteiros da economia, impulsionando avanços em saúde, educação,…

9 de junho de 2026