Análise | McKinsey faz um “reality check” da IA em 2025: uso cresce, mas impacto real ainda é raro
Créditos da imagem: Curto News/ChatGPT

Análise | McKinsey faz um “reality check” da IA em 2025: uso cresce, mas impacto real ainda é raro

A consultoria McKinsey divulgou sua nova edição do relatório State of AI 2025, uma pesquisa global que ouviu quase 2 mil organizações sobre o uso de inteligência artificial (IA). O estudo revela um cenário paradoxal: quase todas as empresas já utilizam IA de alguma forma, mas poucas conseguem ampliar os resultados em escala ou gerar impacto real nos negócios.

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Adoção ampla, mas superficial

De acordo com o levantamento, 88% das empresas afirmam usar IA em algum ponto de suas operações — um aumento expressivo em relação a anos anteriores. No entanto, a maior parte ainda está em fases experimentais ou de projeto-piloto, sem transformar essas iniciativas em ganhos estratégicos. Apenas 33% conseguiram escalar o uso da tecnologia de forma consistente em toda a organização.

A McKinsey observa que esse comportamento reflete uma transição: as empresas já reconhecem o valor da IA, mas ainda enfrentam barreiras para integrá-la plenamente aos seus fluxos de trabalho, seja por falta de dados organizados, competências técnicas ou infraestrutura adequada.

Impacto financeiro limitado

Entre as organizações pesquisadas, 39% relataram algum impacto positivo da IA sobre o lucro operacional (EBIT). Porém, apenas 6% conseguiram um ganho de 5% ou mais, e essas conquistas vieram principalmente de empresas que repensaram seus processos de trabalho e usaram IA como motor de inovação, e não apenas como ferramenta de eficiência.

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Esses resultados indicam que o verdadeiro valor da IA não está apenas em automatizar tarefas, mas em reconfigurar a maneira como a empresa opera, combinando inteligência de máquina e criatividade humana para descobrir novas oportunidades de negócio.

O papel crescente dos agentes de IA

Outro destaque do relatório é o avanço dos agentes de IA — sistemas autônomos que executam tarefas complexas de forma contínua, aprendendo com o tempo. Segundo a McKinsey, 62% das empresas já estão explorando agentes, embora a adoção ainda seja incipiente: 39% estão apenas testando e 23% conseguiram escalar seu uso, sobretudo nas áreas de TI, suporte interno e gestão do conhecimento.

Os agentes prometem um salto de produtividade ao reduzir o tempo gasto em tarefas administrativas e técnicas, mas exigem uma estrutura sólida de governança e segurança para evitar riscos de dependência ou uso indevido.

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Efeitos sobre o trabalho

O relatório também aponta que a chegada da IA generativa e dos agentes inteligentes começa a reconfigurar o mercado de trabalho. Cerca de 32% das empresas esperam reduzir suas equipes em pelo menos 3% no próximo ano, enquanto 13% preveem aumento do quadro — reflexo de novos papéis surgindo em torno da supervisão, treinamento e integração de sistemas de IA. As grandes corporações são as mais propensas a prever cortes, principalmente em funções repetitivas.

A diferença entre usar e transformar

O principal aprendizado vem das empresas que realmente colhem resultados significativos com IA. Elas têm em comum uma visão estratégica: tratam a IA como um catalisador de crescimento e inovação, não apenas como ferramenta de eficiência.

Essas organizações integram a IA em toda a cadeia de valor, reestruturam fluxos de trabalho, capacitam funcionários e alinham métricas de sucesso à transformação digital. Segundo a McKinsey, o impacto positivo nesses casos é “profundamente multiplicador” — acelerando inovação, melhorando a experiência do cliente e criando novas fontes de receita.

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O recado da McKinsey

O relatório deixa claro que a era da IA corporativa já chegou, mas a era do impacto real ainda está começando. Para alcançar resultados sustentáveis, as empresas precisarão ir além dos testes e pilotos — repensando seus modelos de negócio, cultura e processos em torno da inteligência artificial.

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