A Anthropic apresentou o Anthropic Interviewer, uma ferramenta potenciada por Claude que automatiza entrevistas qualitativas — desde o planejamento das perguntas, passando pela condução das conversas com usuários, até a análise e clusterização dos temas para pesquisadores humanos. O anúncio foi feito em 4 de dezembro de 2025, com divulgação dos primeiros dados de um estudo envolvendo 1.250 profissionais de diferentes áreas.
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Como funciona
O Interviewer opera em três fases:
- Planejamento — a IA gera um roteiro de perguntas a partir de objetivos de pesquisa; os pesquisadores humanos revisam e refinam esse roteiro.
- Entrevista — Claude conduz diálogos de 10 a 15 minutos, adaptando as perguntas conforme as respostas do participante.
- Análise — uma combinação de IA e pesquisadores humanos examina as transcrições, identifica padrões e agrupa respostas por temas emergentes.
Segundo a Anthropic, realizar essas entrevistas manualmente em larga escala seria extremamente custoso e demorado — com a automação, porém, é possível atingir números antes implausíveis para estudos qualitativos.
Quem participou e o que disseram
O estudo-piloto envolveu 1.250 profissionais: 1.000 da “força de trabalho geral”, 125 de áreas científicas e 125 de áreas criativas. Entre os grupos da força de trabalho geral há participação de professores, profissionais de TI, design, mídia, entre outros.
Os resultados revelam percepções interessantes e multifacetadas sobre o uso de IA no cotidiano profissional:
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- 86% dos profissionais declararam que a IA economiza tempo em suas tarefas.
- Ao mesmo tempo, apesar dos benefícios, muitos expressaram insegurança: cerca de 55% manifestaram preocupação com o futuro de suas carreiras.
- Outro dado significativo: 69% mencionaram haver estigma social em usar IA no trabalho — ou seja, ainda há receio ou constrangimento em admitir o uso dessas ferramentas.
As respostas também variaram conforme a profissão:
- Entre criativos — como escritores, artistas, designers, músicos — muitos disseram usar IA para aumentar produtividade, mas relataram que escondem esse uso de colegas por medo de julgamentos; há também ansiedade sobre o risco de substituição ou desvalorização da profissão.
- Já entre cientistas, a visão foi mais cautelosa: muitos consideram a IA como parceira potencial em tarefas como revisão de literatura, redação ou revisão de código, mas não confiam totalmente nos modelos para tomadas de decisão complexas de pesquisa.
Por que isso importa — e o que o método revela
Normalmente, empresas e pesquisadores obtêm informações sobre uso de IA por meio de métricas quantitativas — cliques, frequência de uso, formulários de feedback ou logs de comportamento. O problema é que esses dados raramente capturam como as pessoas se sentem, como percebem a tecnologia, suas apreensões, medos ou expectativas.
O diferencial do Anthropic Interviewer é justamente levar uma abordagem qualitativa, mas em escala. Isso permite revelar o lado humano da adoção de IA — os dilemas, inseguranças e tensões profissionais que não aparecem nos gráficos de uso. Para pesquisadores, formuladores de políticas, designers de produto ou estudiosos de IA, esse tipo de conhecimento é essencial para guiar o desenvolvimento tecnológico e definir práticas mais humanas, responsáveis e alinhadas com as necessidades reais.
Além disso, a Anthropic já liberou publicamente todas as 1.250 transcrições (com consentimento dos participantes), abrindo espaço para que a comunidade acadêmica, jornalistas e demais interessados realizem suas próprias análises.
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Limitações e o futuro da pesquisa
Apesar das promessas, o estudo tem limites reconhecidos: as conclusões dependem das perguntas feitas, do perfil dos entrevistados e da capacidade de análise humana. Ou seja: os resultados não capturam toda a diversidade possível de trabalhadores e contextos de uso de IA.
Contudo, a ferramenta representa um avanço metodológico relevante no campo da pesquisa sobre IA: ela demonstra que é viável — e produtivo — tratar a adoção de IA como um fenômeno social e humano, e não apenas técnico ou estatístico. A Anthropic anuncia que novas rodadas de entrevistas serão realizadas, ampliando a cobertura de perfis e possibilitando o acompanhamento da evolução da relação entre humanos e IA com o tempo.
Conclusão
O lançamento do Anthropic Interviewer marca um novo passo na investigação das implicações sociais e profissionais da IA. A adoção de IA no trabalho já é realidade para muitos — e não basta saber quantas pessoas usam: é fundamental entender como usam, por que usam e o que sentem sobre isso.
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Para quem atua com IA — seja desenvolvimento, pesquisa, ética ou produto —, esse estudo é um convite à reflexão: mais do que medir produtividade ou performance, precisamos considerar as percepções humanas, as ansiedades, esperanças e transformações de identidade profissional. E ferramentas como o Interviewer mostram que é possível fazer isso — de forma ampla, escalável e com respeito ao ponto de vista do usuário.
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