This picture taken on January 12, 2023 in Toulouse, southwestern France shows a tablet displaying the logo of the company Meta. (Photo by Lionel BONAVENTURE / AFP)
Um grupo de dois funcionários atuais e dois ex-colaboradores da Meta entregou documentos ao Congresso dos Estados Unidos acusando a empresa de ter suprimido ou restringido pesquisas relacionadas à segurança de crianças em suas plataformas. As informações foram divulgadas pelo jornal The Washington Post.
Segundo os relatos, a Meta alterou suas políticas internas sobre estudos de temas considerados sensíveis — como infância, política, gênero, raça e assédio — poucas semanas após a denúncia da ex-funcionária Frances Haugen, em 2021. Haugen havia revelado documentos internos que mostravam como o Instagram podia prejudicar a saúde mental de adolescentes, em especial meninas.
Kelly Stonelake, que trabalhou por 15 anos na Meta, já havia feito denúncias semelhantes em um processo aberto em fevereiro. Ela contou ao site TechCrunch que liderava estratégias para expandir o Horizon Worlds, plataforma de realidade virtual, para adolescentes e novos mercados. No entanto, alegou que a empresa não possuía mecanismos adequados para impedir a entrada de crianças com menos de 13 anos.
Além disso, Stonelake apontou falhas graves relacionadas ao racismo dentro do ambiente virtual. Segundo o processo, testes internos mostraram que usuários com avatares negros eram alvos de ofensas raciais em menos de 34 segundos após entrarem na plataforma.
A ex-funcionária também processou a empresa separadamente por assédio sexual e discriminação de gênero.
Outro ex-pesquisador da Meta, Jason Sattizahn, especializado em realidade virtual, afirmou ao The Washington Post que foi obrigado por seu superior a apagar gravações de uma entrevista. Nela, um adolescente relatava que seu irmão de apenas 10 anos havia sido alvo de uma proposta sexual dentro do Horizon Worlds.
Os denunciantes alegam que a Meta passou a orientar pesquisadores a adotar práticas que dificultariam a divulgação de conclusões críticas. Entre as recomendações, estavam a consulta prévia a advogados — garantindo sigilo por privilégio jurídico — e a redação de relatórios em linguagem vaga, evitando termos como “ilegal” ou “não conforme”.
As denúncias não se restringem aos produtos de realidade virtual. A Meta também tem sido criticada por falhas em suas políticas envolvendo inteligência artificial. Reportagem da Reuters revelou que, em versões anteriores, os chatbots da empresa permitiam diálogos de caráter “romântico ou sensual” até mesmo com menores de idade.
Em resposta, um porta-voz da Meta disse ao TechCrunch que regulações globais de privacidade determinam a exclusão de dados coletados de menores de 13 anos sem consentimento verificável dos pais ou responsáveis.
A empresa, por sua vez, rejeita a narrativa apresentada pelos denunciantes. Em nota ao TechCrunch, a Meta afirmou que “exemplos isolados estão sendo costurados para sustentar uma narrativa falsa”. A companhia acrescentou que, desde o início de 2022, aprovou quase 180 estudos relacionados a temas sociais no Reality Labs, incluindo pesquisas sobre segurança e bem-estar de jovens.
As acusações chegam em um momento de pressão crescente sobre grandes empresas de tecnologia a respeito da segurança infantil online. Desde 2021, o tema é alvo de debates acalorados em governos de diferentes países, com foco especial em plataformas de redes sociais e ambientes virtuais imersivos.
Com processos judiciais em andamento e investigações no Congresso, a Meta volta ao centro das discussões sobre os limites da inovação digital e a responsabilidade das gigantes da tecnologia na proteção de crianças e adolescentes.
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Este post foi modificado pela última vez em 8 de setembro de 2025 14:55
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