Um recente estudo da British Standards Institution (BSI), citado pelo The Guardian, alerta para um cenário preocupante: empresas globais estariam priorizando a adoção de inteligência artificial (IA) em vez da contratação de profissionais iniciantes — o que coloca muitos jovens da Geração Z em risco de enfrentar um verdadeiro “job-pocalypse”.
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Os principais achados
- Entre mais de 850 líderes empresariais pesquisados em sete países (Reino Unido, EUA, França, Alemanha, Austrália, China e Japão), 41% afirmaram que o uso da IA vem permitindo reduzir o número de empregados.
- 31% dos entrevistados disseram que sua empresa considera adotar soluções de IA antes de contratar novas pessoas — e 2 em cada 5 esperam que isso se torne norma nos próximos cinco anos.
- Um quarto dos gestores acredita que todas ou a maioria das tarefas de cargos de entrada (entry-level) poderiam ser executadas por IA.
- A pesquisa também revelou que menções ao termo “automação” em relatórios corporativos aparecem quase sete vezes mais do que “capacitação” ou “requalificação” (upskilling/retraining).
Susan Taylor Martin, CEO da BSI, sintetiza o dilema: “a tensão entre explorar ao máximo a IA e permitir uma força de trabalho prosperar é o grande desafio da nossa era.”
Por que isso nos interessa (e preocupa)
- Deslocamento dos jovens talentos: quando empresas optam por automação em vez de investir em profissionais que estão começando, o portão de entrada no mercado de trabalho se estreita. Isso pode gerar uma “geração perdida”, privada de aprendizado prático e carreira inicial.
- Desigualdade no acesso à IA: quem já está mais estabelecido profissionalmente terá vantagem para migrar para funções de maior nível — reforçando desigualdades sociais e econômicas.
- Risco de subutilização humana: em contextos de criatividade, empatia, julgamento ético ou colaboração — qualidades tipicamente humanas — a IA ainda tem limitações. Ao usar IA indiscriminadamente, empresas podem perder inovação e resiliência.
- Desafio para políticas públicas e educação: governos e instituições educacionais terão que repensar currículos, políticas de emprego e estratégias de requalificação para que a geração emergente não seja marginalizada.
Propostas de mitigação
- Incentivar programas de mentoria e estágio que envolvam jovens em projetos de IA — não apenas como executores, mas como co-autores de soluções híbridas homem-máquina.
- Políticas regulatórias que estimulem contratações de início de carreira, ou que imponham alguma contraprestação social para empresas que substituem em massa por IA.
- Incentivo à requalificação contínua (lifelong learning) e capacitação em habilidades complementares à IA — como pensamento crítico, criatividade, ética e comunicação.
- Fomentar a pesquisa e o uso de IA responsável e colaborativa, que valorize a cooperação entre humanos e máquinas em vez de simplesmente substituir pessoas.
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