Créditos da imagem: Curto News/Gemini

IA do Harvard Medical School diferencia tumores cerebrais parecidos e ajuda médicos em tempo real

Um novo sistema de inteligência artificial desenvolvido por pesquisadores da Harvard Medical School promete transformar a forma como cirurgiões e patologistas identificam tumores cerebrais durante operações. A tecnologia recebeu o nome de PICTURE (Pathology Image Characterization Tool with Uncertainty-aware Rapid Evaluations) e demonstrou capacidade quase perfeita de distinguir glioblastoma, o tumor cerebral mais comum e agressivo, de linfoma primário do sistema nervoso central (PCNSL), um câncer raro que muitas vezes engana até especialistas.

PUBLICIDADE

Por que esse avanço é tão importante

Durante cirurgias, médicos retiram amostras do tumor e congelam o tecido em nitrogênio líquido para análise rápida. Esse procedimento oferece resultados em cerca de 15 minutos, mas pode distorcer algumas características das células. Em aproximadamente 1 a cada 20 casos, o diagnóstico inicial muda quando o exame é revisto dias depois, o que pode atrasar ou até comprometer o tratamento. O novo modelo de IA ajuda justamente nesse ponto: ele fornece informações confiáveis ainda durante a cirurgia, apoiando decisões críticas, como remover ou não o tumor.

Diferenças que mudam o tratamento

Glioblastomas surgem a partir de células do cérebro e exigem a retirada máxima do tecido afetado. Já o PCNSL se origina em células do sistema imunológico e responde melhor à quimioterapia e à radioterapia, sem necessidade de cirurgia extensa. Confundir os dois tipos pode levar a cirurgias desnecessárias ou atrasos no tratamento adequado. Com a nova ferramenta, médicos podem tomar decisões com muito mais segurança e rapidez.

Como a IA funciona

O PICTURE foi treinado para reconhecer padrões importantes nos tecidos, como densidade celular, formato das células e presença de necrose. Além de identificar com mais de 98% de precisão os dois tipos de câncer, o modelo conta com um recurso inovador: ele reconhece quando não conhece determinado padrão e aciona um alerta para revisão humana. Isso evita que tumores raros ou desconhecidos sejam classificados de forma incorreta.

PUBLICIDADE

Resultados internacionais

O sistema foi testado em cinco hospitais de quatro países e analisou mais de 2.100 lâminas de tecidos tumorais, incluindo casos raros. Em todos os cenários, o PICTURE superou tanto especialistas humanos quanto outros modelos de inteligência artificial. Em situações de alta complexidade, em que até patologistas experientes divergiram entre si, a IA conseguiu acertar diagnósticos de forma consistente.

Benefícios além do centro cirúrgico

Os pesquisadores destacam que a ferramenta pode ajudar a democratizar o acesso à neuropatologia, área com poucos especialistas e distribuição desigual pelo mundo. Além disso, pode servir como recurso de ensino para formar novos profissionais capazes de identificar tumores que se parecem muito entre si. O time ressalta, porém, que a maioria das amostras veio de pacientes brancos, e novos estudos devem confirmar a precisão em populações mais diversas.

O que vem pela frente

Embora tenha se concentrado em glioblastoma e PCNSL, o modelo abre caminho para análises ainda mais abrangentes. Futuramente, pode incluir outros tipos de câncer do sistema nervoso e até integrar dados genéticos e moleculares, aumentando a precisão diagnóstica e personalizando ainda mais os tratamentos.

PUBLICIDADE

Rolar para cima