IA na música K-Pop: inovação ou perda de autenticidade?
O uso de inteligência artificial (IA) está dividindo os fãs de K-Pop. Grande parte dos artistas do gênero, incluindo o grupo masculino Seventeen, vem experimentando a tecnologia para criar videoclipes e produzir músicas.
Seventeen, um dos grupos de K-Pop mais bem-sucedidos da história, utilizou IA em seu último videoclipe. Woozi, membro do grupo, disse que estava “experimentando” com IA na criação musical. “Queremos nos desenvolver junto com a tecnologia, não reclamar dela”, afirmou.
Apesar disso, Woozi esclareceu no Instagram que toda a música do Seventeen é “escrita e composta por criadores humanos”.
Fãs estão divididos. Alguns acreditam que a IA pode ajudar a superar bloqueios criativos, enquanto outros temem a perda da essência dos artistas. “Adoro quando a música reflete o artista e suas emoções”, diz Ashley Peralta, fã do gênero. “A IA pode tirar esse componente crucial que conecta fãs e artistas”.
Para a indústria do K-Pop, a adoção de novas tecnologias não é surpresa. Chris Nairn, produtor que já trabalhou com grandes nomes do K-Pop, considera a Coreia do Sul um país progressista. “Eles estão sempre perguntando ‘qual é a próxima?’ e ‘como podemos estar um passo à frente?'”, comenta. “Não me surpreende que estejam implementando IA na composição”.
Chris acredita que a IA não substituirá o talento humano. “A IA gera material razoável, mas para estar no topo do jogo da composição, a inovação é fundamental. A IA funciona com base no que já foi carregado, não pode inovar por si só”.
Na verdade, Chris prevê que a IA aumente a demanda por músicas mais pessoais. ” Haverá pressão dos fãs para ouvir letras que venham do coração do artista”.
O grupo feminino Aespa também usou IA em seu último videoclipe, gerando cenas onde as faces das integrantes permanecem imóveis enquanto somente a boca se mexe.
Arpita Adhya, jornalista musical e fã de K-Pop, acredita que a IA reflete a pressão sofrida por artistas para criar conteúdo constantemente.
Ela também aponta a normalização da IA na indústria, com o surgimento de covers feitos por fãs que usam tecnologia para imitar a voz de outros artistas.
Grandes estrelas do Ocidente, como Billie Eilish e Nicki Minaj, já se posicionaram contra o uso “predatório” da IA na música.
Para Arpita, a falta de regulamentação coloca o peso da decisão nas mãos dos fãs. “Sem diretrizes claras, lutamos para definir limites e questionar o que é certo ou errado”.
Felizmente, ela acredita que os artistas de K-Pop estão atentos à opinião do público. “Os fãs têm muita influência e os grupos estão sempre dispostos a aprender e ouvir. Se Seventeen e Aespa perceberem que estão magoando seus fãs, espero que mudem de atitude”.
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Este post foi modificado pela última vez em 16 de julho de 2024 15:41
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