A tecnologia está ajudando historiadores a recuperar momentos de lazer da Antiguidade que o tempo apagou. O pesquisador Walter Crist, da Universidade de Leiden, identificou uma placa de calcário gravada em um museu holandês. Embora o objeto estivesse guardado há décadas, ninguém sabia como utilizá-lo. Conforme detalhado pela revista Antiquity, da Cambridge University Press, a equipe decidiu usar a inteligência artificial para testar centenas de combinações de regras e desvendar o enigma.
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Para alcançar esse resultado, os cientistas programaram dois agentes de IA. Esses sistemas jogaram milhares de partidas baseadas em 100 conjuntos de regras diferentes. Além disso, os pesquisadores compararam os padrões de movimento da IA com as marcas de desgaste físico na pedra original.
O “Ludus Coriovalli” e a mecânica de bloqueio
A inteligência artificial concluiu que o objeto pertence a uma categoria de “jogos de bloqueio”. Nesses jogos, um participante tenta impedir o movimento do adversário, de forma similar ao que ocorre no jogo da velha. De acordo com uma reportagem da Scientific American, o jogo agora se chama Ludus Coriovalli. O nome homenageia a cidade de Coriovallum, onde a placa foi encontrada no sudeste da Holanda.
Os testes revelaram nove variações de regras consistentes com o desgaste da pedra. Curiosamente, esse tipo de jogo só aparecia em registros da Escandinávia nos séculos 19 e 20. Consequentemente, a descoberta prova que os europeus já praticavam essas dinâmicas muito antes do período medieval.
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Conexão com o passado através do lazer
Crist acredita que entender esses jogos humaniza os povos antigos. Ele ressalta que o lazer romano não era tão diferente do nosso. Jogos como o Senet egípcio, por exemplo, guardam semelhanças com o moderno Sorry!. Da mesma forma, o xadrez e o gamão possuem raízes milenares que ainda conectam gerações.
Em suma, a IA não apenas decifrou as regras, mas devolveu a funcionalidade a um artefato esquecido. Os interessados podem, inclusive, testar o jogo em versões online disponíveis atualmente. Segundo os pesquisadores, essa técnica pode solucionar mistérios de outros tabuleiros antigos ao redor do mundo em breve.



