Um relatório publicado pelo Departamento de Educação do Reino Unido, intitulado “The Impact of AI on UK Jobs and Training”, oferece uma análise robusta dos efeitos que a inteligência artificial (IA), especialmente os grandes modelos de linguagem (como o ChatGPT), pode ter sobre o mercado de trabalho britânico. A pesquisa aponta para transformações profundas nos tipos de ocupações mais expostas à IA, nos setores econômicos mais vulneráveis e nas qualificações necessárias para os profissionais do futuro.
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Principais achados do relatório
1. Ocupações mais expostas à IA
O estudo identifica que as funções profissionais e administrativas são as mais vulneráveis à IA. Em particular, cargos em finanças, consultoria de negócios, contabilidade, além de analistas e psicólogos, apresentam alta exposição. Atividades de ensino também aparecem, especialmente quando envolvem produção de texto ou avaliação, onde os modelos de linguagem podem intervir diretamente.
Essa exposição não significa necessariamente que esses empregos serão totalmente substituídos — muitos poderão ser “complementados” pela IA, segundo a metodologia usada.
2. Setores econômicos mais afetados
Setores como finanças e seguros estão no topo da lista de vulnerabilidade. Também estão sob risco elevado os setores de comunicação e tecnologia da informação, serviços técnicos e científicos, propriedade, administração pública e defesa, e educação.
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3. Diferenças geográficas
A exposição à IA varia por região. As áreas de Londres e Sudeste da Inglaterra têm os empregos mais expostos, em grande parte porque concentram muitas posições profissionais. Em contraste, regiões como o Nordeste mostram menor exposição. No entanto, a variação entre regiões é menos acentuada do que entre diferentes ocupações ou indústrias.
4. Perfil educacional dos trabalhadores mais vulneráveis
Curiosamente, quem tem níveis mais altos de qualificação tende a estar em postos mais expostos à IA. Por exemplo, trabalhadores com diploma universitário (nível 6) têm uma probabilidade maior de ocupar empregos mais suscetíveis, comparados a aqueles com ensino médio (nível 3).
Além disso, determinadas formações são mais propensas a estar associadas a esses empregos de risco: cursos de contabilidade, finanças, economia e matemática são destacados como vinculados a ocupações altamente impactadas pela IA. Já áreas como construção, manufatura ou transporte, especialmente para quem tem qualificações mais básicas (nível 3 ou menos), apresentam menor exposição.
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Metodologia usada no estudo
Para chegar a essas conclusões, os responsáveis pelo relatório adaptaram uma metodologia desenvolvida por pesquisadores internacionais (Felten, Raj e Seamans), que avalia a “exposição ocupacional à IA” (AI Occupational Exposure, AIOE).
Eles selecionaram dez aplicações-chave de IA — como reconhecimento de imagem, geração de texto, tradução, leitura e outros — e mapearam essas aplicações às habilidades humanas exigidas por diferentes funções.
Assim, é estimado quanto a IA pode “ajudar” ou substituir as capacidades humanas em cada função, fornecendo um escore de exposição para cada ocupação.
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Além disso, o estudo relaciona essas ocupações com rotas de formação — cursos, certificações e aprendizagens — para identificar quais perfis de qualificação se alinham às ocupações mais impactadas.
Implicações para políticas públicas e educação
O relatório aponta que o sistema educacional e os empregadores britânicos terão desafios grandes pela frente. Será necessário adaptar programas de treinamento, tanto em escolas quanto em cursos profissionais e de pós-graduação, para preparar a força de trabalho para esse novo cenário.
Além disso, políticas regionais podem ser importantes para equilibrar os impactos, especialmente considerando as diferentes exposições entre regiões do país.
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Também se destaca a urgência de desenvolver rotas de reciclagem (reskilling) para trabalhadores já empregados: muitos dos empregos mais afetados exigem qualificações elevadas, o que pode dificultar a realocação de trabalhadores menos graduados para novas funções.
Conclusão
O estudo Impact of AI on UK Jobs and Training é um alerta contundente sobre as transformações que a IA já está promovendo no mundo do trabalho. Ele não sugere apenas perdas de emprego: destaca também oportunidades de complementação, inovação e transformação profissional.
Para o Reino Unido, a mensagem é clara: a preparação passa por investimento em educação, requalificação e planejamento estratégico. E para profissionais de IA — pesquisadores, empresas e formuladores de políticas —, o desafio é construir uma transição que maximize os benefícios da IA, minimize os riscos e garanta que os ganhos sejam distribuídos de forma justa.
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