Isomorphic Labs: Medicamentos criados por IA se aproximam de testes em humanos
A descoberta de novos medicamentos, um processo que tradicionalmente leva anos e envolve altos custos e riscos, pode ser transformada radicalmente pela inteligência artificial (IA). Demis Hassabis, CEO da Isomorphic Labs e também líder do Google DeepMind, afirmou que a tecnologia pode reduzir esse tempo para menos de um ano — e, em alguns casos, até para alguns meses.
“Nos próximos anos, eu gostaria de ver esse prazo cair para meses, em vez de anos. Acho que isso é possível, talvez até mais rápido”, disse Hassabis em entrevista à Bloomberg Television.
Fundada em 2021, a Isomorphic Labs é uma divisão da Alphabet dedicada à descoberta de medicamentos com auxílio de IA. A empresa já firmou parcerias com gigantes farmacêuticos como Eli Lilly & Co. e Novartis AG, com foco em tratamentos para câncer e distúrbios do sistema imunológico.
Atualmente, nenhum medicamento desenvolvido exclusivamente por inteligência artificial completou com sucesso ensaios clínicos. Ainda assim, os avanços no campo são notáveis. A Isomorphic Labs está desenvolvendo uma versão “muito mais avançada” do AlphaFold, modelo de IA do DeepMind premiado com o Nobel de Química em 2024, capaz de prever o comportamento das proteínas. Essa nova geração de tecnologia promete ir além e compreender também outras interações moleculares.
Apesar do otimismo, Hassabis adota cautela quanto a prazos. Em janeiro, havia anunciado que os primeiros testes clínicos de medicamentos projetados por IA começariam até o fim do ano. No entanto, até setembro, o executivo afirmou apenas que a empresa já apresentou “primeiras provas de conceito”, mas não forneceu datas concretas para o início dos estudos em pacientes.
Mesmo assim, a ambição é clara. O CEO já declarou que a Isomorphic Labs pode se tornar uma empresa avaliada em mais de 100 bilhões de dólares. Para acelerar essa meta, a companhia levantou US$ 600 milhões em uma rodada de investimentos liderada pela Thrive Capital no início de 2024.
Rebecca Paul, diretora de design de medicamentos da Isomorphic Labs, reforçou que os esforços iniciais estão concentrados em câncer e distúrbios imunológicos, áreas em que a tradução de modelos algorítmicos em resultados clínicos é considerada mais viável. Segundo ela, medicamentos criados com IA podem transformar muitos tipos de câncer em doenças crônicas tratáveis. “É difícil estabelecer um prazo exato, mas já podemos começar a pensar em novas formas de abordar esse desafio”, disse à Bloomberg.
A parceria com a Novartis também avança. Inicialmente, as duas companhias trabalhavam em três alvos terapêuticos — proteínas ou moléculas que um medicamento deve atingir. Agora, o número subiu para seis. Embora os detalhes não tenham sido revelados, Paul destacou que os progressos na colaboração têm sido “muito bons”.
Para a indústria farmacêutica e de biotecnologia, o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de medicamentos representa uma oportunidade única de acelerar o acesso de pacientes a novos tratamentos, reduzir custos e responder de maneira mais ágil a crises de saúde. Contudo, até que as primeiras drogas desenvolvidas por IA cheguem ao mercado, o desafio será provar que a promessa pode se transformar em resultados concretos para os pacientes.
Este post foi modificado pela última vez em 12 de setembro de 2025 12:16
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