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Inteligência Artificial

Médicos ficam menos eficientes na detecção de câncer após uso contínuo de IA, revela estudo

Publicado por
Isabella Caminoto

Um novo estudo realizado em centro médicos da Polônia revelou um efeito preocupante da adoção crescente da inteligência artificial (IA) na prática médica: médicos experientes se tornaram menos eficazes na detecção de câncer após o uso contínuo de ferramentas de IA. A pesquisa, publicada na renomada revista The Lancet, é considerada pioneira ao demonstrar um impacto negativo direto da IA na habilidade clínica de profissionais da saúde.

IA em colonoscopias: promessa e risco

O estudo foi conduzido em quatro centros de endoscopia que participavam de um programa experimental de prevenção de câncer por meio de colonoscopias assistidas por IA. O objetivo era avaliar se a exposição contínua à tecnologia alterava o comportamento dos endoscopistas durante os procedimentos realizados sem o auxílio da IA.

Foram analisadas 1.442 colonoscopias realizadas por médicos altamente experientes — cada um com mais de 2.000 exames no currículo. Os pesquisadores compararam os resultados obtidos três meses antes da introdução da IA com os resultados de três meses após sua implementação. Durante esse período, os exames foram distribuídos aleatoriamente entre procedimentos com e sem assistência da IA.

Queda na taxa de detecção de câncer

Os resultados foram claros e preocupantes: os médicos que passaram a usar IA regularmente apresentaram uma queda de aproximadamente 6% na taxa de sucesso na detecção de câncer quando a tecnologia foi retirada. A taxa de detecção de adenomas, um indicador importante na prevenção do câncer colorretal, caiu de 28% para 22%.

Segundo o Dr. Marcin Romanczyk, da Academia de Silesia, um dos autores do estudo, “esta é, até onde sabemos, a primeira pesquisa a sugerir um impacto negativo do uso regular de IA na capacidade de profissionais da saúde de realizar uma tarefa médica relevante para o paciente”.

Riscos da dependência cognitiva

O estudo polonês se soma a outras pesquisas que apontam para os riscos da dependência excessiva de IA. Um estudo recente do MIT mostrou que participantes que utilizaram modelos de linguagem para escrever ensaios apresentaram conexões cerebrais mais fracas, memória prejudicada e produção mais derivativa.

Esses dados levantam um alerta importante: embora a IA possa ser uma ferramenta poderosa para aumentar a eficiência e precisão, seu uso indiscriminado pode comprometer habilidades cognitivas e clínicas essenciais.

Crescimento acelerado do uso de IA na medicina

De acordo com a Associação Médica Americana, cerca de dois em cada três médicos já utilizam IA em suas rotinas — seja para tarefas administrativas, como documentação de códigos de faturamento, ou para diagnósticos assistidos. Esse número representa um salto de 78% em relação a 2023, quando apenas 38% dos profissionais afirmavam usar IA.

Com a rápida expansão dessas tecnologias, especialistas pedem cautela e mais estudos sobre os efeitos a longo prazo da IA na prática médica.

O que está em jogo?

A questão central é como equilibrar os benefícios da IA com a preservação das habilidades humanas. A automação pode aliviar a carga de trabalho e reduzir erros, mas também pode levar à desmotivação, perda de foco e redução da responsabilidade clínica — como apontado pelos próprios médicos participantes do estudo.

A adoção de estratégias de treinamento que incluam cenários sem IA pode ser uma solução para manter a proficiência dos profissionais. Além disso, é essencial que instituições de saúde monitorem o impacto da tecnologia não apenas nos resultados clínicos, mas também na formação e desempenho dos médicos.

O estudo publicado na The Lancet serve como um alerta para o setor de saúde: a inteligência artificial, embora promissora, não pode ainda substituir o julgamento clínico humano. A dependência excessiva pode comprometer a qualidade do atendimento e colocar em risco a vida dos pacientes.

Este post foi modificado pela última vez em 14 de agosto de 2025 12:09

Isabella Caminoto

Advogada e mestranda em Direito Internacional, tenho a democracia e a liberdade como bandeiras irrenunciáveis. Sou apaixonada pelos animais e acredito que o bem-estar do nosso planeta deveria ser o destaque diário da pauta da nossa sociedade.

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