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Inteligência Artificial

New York Times adota o uso de IA para a produção jornalística

Publicado por
João Caminoto

O jornal New York Times decidiu autorizar o uso de inteligência artificial (IA) para suas equipes de produto e editorial, afirmando que ferramentas internas poderiam eventualmente escrever textos para redes sociais, manchetes otimizadas para SEO e até mesmo alguns códigos.

Segundo o Semafor, em mensagens para a equipe de redação, o NYT anunciou que está iniciando treinamento de IA para a redação e lançando uma nova ferramenta interna de IA chamada Echo. O NYT também compartilhou documentos e vídeos delineando diretrizes editoriais para o uso de IA e apresentou uma série de produtos de IA que a equipe poderia usar para desenvolver produtos web e ideias editoriais.

“IA generativa pode ajudar nossos jornalistas a descobrir a verdade e ajudar mais pessoas a entender o mundo. O aprendizado de máquina já nos ajuda a reportar histórias que não poderíamos de outra forma, e a IA generativa tem o potencial de fortalecer ainda mais nossas capacidades jornalísticas”, afirma o manual de diretrizes editoriais do mais importante jornal dos Estados Unidos.

O Times afirma que se tornará acessível a mais pessoas por meio de recursos como artigos narrados digitalmente, traduções para outros idiomas e usos de IA generativa que ainda não foram descobertos. A empresa vê a tecnologia não como uma solução mágica, mas como uma ferramenta poderosa que, como muitos avanços tecnológicos anteriores, pode ser usada a serviço de sua missão.

A empresa disse que estava aprovando vários programas de IA para as equipes editorial e de produto, incluindo o assistente de programação GitHub Copilot para codificação, o Vertex AI do Google para desenvolvimento de produtos, NotebookLM, o ChatExplorer do NYT, alguns produtos de IA da Amazon e a API não-ChatGPT da OpenAI através da conta comercial do New York Times (apenas com aprovação do departamento jurídico da empresa). O Times também anunciou a construção do Echo, uma ferramenta beta interna de sumarização para permitir que jornalistas condensassem artigos, briefings e interativos.

Segundo o Semafor, o jornal incentivou a equipe editorial a usar essas ferramentas de IA para gerar manchetes otimizadas para SEO, resumos e promoções de audiência; sugerir edições; brainstorm de perguntas e ideias e fazer perguntas sobre os próprios documentos dos repórteres; engajar-se em pesquisas; e analisar os próprios documentos e imagens do Times.

Em um vídeo de treinamento compartilhado com a equipe, o jornal sugeriu usar IA para criar perguntas para fazer ao CEO de uma startup durante uma entrevista. As diretrizes do Times também disseram que a IA poderia ser usada para desenvolver quizzes de notícias, textos para redes sociais, cartões de citação e FAQs.

No entanto, a empresa destacou os riscos potenciais de violação de direitos autorais e exposição de fontes. A equipe editorial foi alertada que não deveria usar IA para redigir ou revisar significativamente um artigo, inserir materiais protegidos por direitos autorais de terceiros (particularmente informações confidenciais de fontes), usar IA para contornar um paywall ou publicar imagens ou vídeos gerados por máquina, exceto para demonstrar a tecnologia e com a devida rotulagem. A empresa disse que algumas ferramentas de IA não aprovadas, se usadas de forma inadequada, poderiam renunciar ao direito do Times de proteger fontes e notas.

O Times se recusou a comentar, mas observou que publicou suas diretrizes editoriais de IA publicamente em seu site. No último ano, o jornal tem trabalhado com um grupo piloto internamente para explorar como a IA poderia ser usada dentro da redação.

A decisão do Times de começar a usar ferramentas de IA ocorre em um momento particularmente notável para a empresa. Ela continua envolvida em uma batalha legal com a OpenAI no tribunal, alegando que a empresa treinou seus modelos com conteúdo do Times sem permissão, o que equivale a uma violação massiva de direitos autorais. A Microsoft, maior investidor da OpenAI, disse que o Times está tentando sufocar a inovação tecnológica.

Este post foi modificado pela última vez em 1 de abril de 2025 11:51

João Caminoto

Jornalista com mais de 30 anos de experiência, ocupei diversos cargos - desde repórter, passando por correspondente internacional até diretor de redação - em diversas casas, como o Estadão, Broadcast, Época, BBC, Veja e Folha. Me sinto privilegiado em ter abraçado essa profissão. Apaixonado pela minha família e pelo Corinthians.

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