O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou, na última sexta-feira, acordos com sete empresas de inteligência artificial para integrar suas tecnologias às redes classificadas do Pentágono. A lista inclui OpenAI, Google, Microsoft, Nvidia, Amazon Web Services, SpaceX e a menos conhecida Reflection AI. Uma ausência chamou a atenção: a Anthropic.
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Uma ausência que não foi acidente
A Anthropic não foi esquecida. Foi excluída.
Segundo documentos e declarações citados por veículos como Defense News, a empresa — criadora do modelo Claude — se recusou a conceder ao Pentágono acesso irrestrito à sua tecnologia para usos que incluiriam armamentos autônomos e vigilância em larga escala.
Em resposta, o Departamento de Defesa classificou a companhia como um “risco à cadeia de suprimentos”, uma designação historicamente aplicada a empresas associadas a adversários estrangeiros. Foi a primeira vez que o rótulo recaiu sobre uma empresa americana.
A Anthropic contestou a medida na Justiça federal, e o processo segue em andamento.
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O secretário de Defesa chamou o CEO de “lunático ideológico”
O conflito rapidamente deixou de ser apenas técnico. Em declarações públicas, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, comparou a postura da Anthropic à de uma fabricante de aviões que tenta ditar a quem o comprador pode atirar. Ele também chamou Dario Amodei, CEO da empresa, de “lunático ideológico”.
A retórica é dura, mas o impacto econômico é concreto. A Anthropic afirmou em documentos judiciais que a designação de risco pode comprometer contratos relevantes com o governo — embora não tenha divulgado estimativas específicas de perdas.
Sinais de reaproximação
Apesar da escalada pública, há movimentos nos bastidores. Em abril, Amodei participou de uma reunião na Casa Branca com a chefe de gabinete Susie Wiles. Em entrevista à CNBC, o presidente Donald Trump afirmou que um acordo com a Anthropic era “possível”.
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Segundo fontes citadas pela CNN Business, o interesse do governo no novo modelo da empresa, o Mythos — voltado para segurança cibernética — pode estar reabrindo canais de negociação.
A questão que fica
Os sete acordos firmados pelo Pentágono autorizam o uso das tecnologias para “qualquer finalidade governamental legal”, sem direito de veto das empresas sobre aplicações específicas. Foi exatamente essa cláusula que a Anthropic se recusou a aceitar.
O episódio expõe uma tensão que vai além dos contratos: até onde as empresas de IA estão dispostas a ir para não perder mercado — e quem, afinal, define o que é um uso “legal” da tecnologia em contexto de guerra?
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