A inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, está se tornando uma ferramenta de apoio cada vez mais comum na vida acadêmica. Uma pesquisa recente conduzida por universidades australianas mostra que quase metade dos estudantes universitários utiliza IA para obter feedback em seus trabalhos, superando o medo de parecer “ridículo” ao pedir ajuda a tutores.
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No entanto, apesar da conveniência e da ausência de julgamentos, a confiança nos professores continua sendo significativamente maior. A matéria a seguir detalha as descobertas desse estudo e as implicações para o futuro da educação.
A pesquisa e o perfil dos estudantes
O estudo, realizado entre agosto e outubro de 2024, envolveu 6.960 estudantes de quatro grandes universidades da Austrália. A amostra incluiu alunos de diversas áreas, como ciências, engenharia, saúde, humanidades e direito. A maioria dos participantes era do sexo feminino (57%), com idades entre 18 e 24 anos (72%) e estudando em tempo integral (90%).
A pesquisa tinha como objetivo entender como os estudantes usam a IA no aprendizado, focando especificamente no uso para feedback, e quais são suas percepções sobre a utilidade e a confiabilidade das respostas fornecidas tanto pela IA quanto pelos professores.
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IA: útil, mas não confiável
Os resultados revelaram que 49% dos entrevistados usam ferramentas de IA para aprimorar seus trabalhos. Eles buscam sugestões de melhoria, identificação de pontos fortes e fracos, edição de texto e novas ideias.
Quando questionados sobre a utilidade do feedback, a IA e os professores ficaram praticamente empatados:
- 84% consideraram o feedback da IA útil.
- 82% consideraram o feedback dos professores útil.
A grande diferença, no entanto, apareceu no quesito confiança:
- 90% dos alunos confiam no feedback dos professores.
- Apenas 60% confiam no feedback da IA.
Essa lacuna na confiança reflete a percepção dos alunos de que, embora a IA ofereça acesso instantâneo e resolva problemas imediatos, ela nem sempre compreende o contexto da tarefa ou fornece uma análise aprofundada. Um estudante relatou que o feedback da IA “parece confirmar alguns pensamentos que já tenho, o que me deixa cético quanto à sua utilidade”. Outro considerou o feedback do professor “mais desafiador, mas gratificante”.
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IA para volume, professores para experiência
A análise das respostas sugere que a IA e os professores atendem a propósitos diferentes na jornada acadêmica.
A IA é valorizada por sua acessibilidade e conveniência. Os alunos podem pedir feedback múltiplas vezes, a qualquer hora do dia, sem se sentirem um fardo ou temerem julgamentos. O estudo destaca que a IA oferece um espaço “mais seguro e menos crítico” para fazer “perguntas idiotas”, que os alunos teriam vergonha de fazer ao seu professor.
Os professores, por outro lado, são insubstituíveis pela experiência e orientação contextualizada. Eles oferecem um feedback mais específico e adaptado à tarefa, contribuindo para um aprendizado mais profundo e significativo.
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Desafios e o futuro da educação
A pesquisa também aponta para um problema de equidade: 50,3% dos estudantes não usam IA para feedback. Deste grupo, 28% simplesmente não sabem que isso é possível. Isso cria uma desigualdade, em que alguns alunos têm acesso a uma ferramenta de apoio 24/7, enquanto outros não.
Para as universidades, o desafio é integrar a IA de forma complementar ao ensino. O artigo sugere que a IA pode cuidar do feedback rápido e inicial, liberando os educadores para se concentrarem em seus pontos fortes: fornecer orientação especializada e aprofundar a compreensão dos alunos. O futuro, portanto, não é sobre escolher entre IA e humanos, mas sim sobre como eles podem colaborar para oferecer um suporte de aprendizado mais eficaz e completo.



