A OpenAI anunciou oficialmente a conclusão de sua transição para uma empresa com fins lucrativos, encerrando uma das sagas jurídicas mais complexas da história recente do setor de tecnologia. Fundada em 2015 como uma organização sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento ético e seguro da inteligência artificial (IA), a empresa agora passa a operar como uma “public benefit corporation” (PBC) — um tipo de corporação que visa gerar lucro, mas mantém o compromisso formal de promover benefícios sociais.
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A mudança recebeu sinal verde da procuradora-geral de Delaware, Kathy Jennings, após quase um ano de negociações e revisões sobre a estrutura e a governança da OpenAI. Delaware, onde a empresa é incorporada, e a Califórnia, onde está sediada, vinham investigando a proposta de reestruturação, preocupadas com o equilíbrio entre o poder dos investidores e a missão pública original da instituição.
Com a conversão, a OpenAI reorganizou também sua estrutura de propriedade e firmou um novo acordo com a Microsoft, sua principal parceira desde 2019. O contrato dá à gigante do software cerca de 27% de participação na nova entidade com fins lucrativos, avaliando a OpenAI em 500 bilhões de dólares — o que torna a fatia da Microsoft superior a 100 bilhões de dólares. Apesar de manter vínculos estreitos, o acordo ajusta alguns termos de cooperação e define novas regras para o acesso de Microsoft às pesquisas confidenciais da OpenAI.
Segundo a empresa, a reestruturação permitirá levantar capital com mais flexibilidade e acelerar o desenvolvimento e a comercialização de suas tecnologias de IA — como o ChatGPT —, sem abandonar completamente o controle do braço original sem fins lucrativos. Esse braço continuará existindo, agora com o nome OpenAI Foundation, responsável por supervisionar a missão ética e destinar US$ 25 bilhões em doações para projetos ligados à saúde, cura de doenças e segurança cibernética associada à IA.
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Em comunicado oficial, Bret Taylor, presidente do conselho da OpenAI, afirmou que a reorganização “simplifica a estrutura corporativa e cria um caminho mais direto para a fundação acessar grandes recursos antes da chegada da AGI”. A sigla AGI (Inteligência Artificial Geral) se refere a sistemas altamente autônomos capazes de superar o desempenho humano na maioria das tarefas econômicas — o objetivo declarado da OpenAI desde sua criação.
A empresa também anunciou uma mudança importante: a decisão sobre quando a AGI será alcançada — antes responsabilidade exclusiva do conselho da OpenAI — agora passará por verificação independente de um painel de especialistas. Até que isso ocorra (ou até 2030, o que vier primeiro), a Microsoft continuará tendo acesso a determinadas informações e direitos comerciais.
A trajetória da OpenAI até aqui não foi isenta de controvérsias. O bilionário Elon Musk, um dos cofundadores da empresa e ex-aliado de Sam Altman, chegou a processar a organização alegando que ela havia se desviado de sua missão original — ação que ele posteriormente retirou, antes de surpreender o mercado com uma proposta de US$ 100 bilhões para tentar assumir o controle da startup.
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Apesar das promessas de compromisso ético, críticos permanecem céticos. Robert Weissman, copresidente da ONG Public Citizen, comparou a nova fundação a uma típica “fundação corporativa”, criada para legitimar os interesses da empresa-mãe. Segundo ele, a alegada independência da entidade sem fins lucrativos “é ilusória, pois não há evidências de que ela imponha, de fato, seus valores à parte lucrativa”.
Com a conversão agora concluída, a OpenAI entra numa nova fase — mais ambiciosa, mais rentável e também mais vigiada. O desafio será provar que é possível equilibrar lucro e propósito, em um setor onde a inteligência artificial cresce mais rápido do que as regras que tentam controlá-la.
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