Enquanto os holofotes da corrida da inteligência artificial (IA) se concentram em gigantes como OpenAI e Anthropic, uma nova geração de startups especializadas começa a ganhar atenção — e capital — com propostas voltadas a nichos profissionais específicos. Entre elas está a OpenEvidence, empresa descrita como o “ChatGPT dos médicos”, que acaba de captar US$ 200 milhões, elevando sua avaliação de mercado para US$ 6 bilhões.
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Um ChatGPT treinado em medicina
Fundada em 2022 por Daniel Nadler e Zachary Ziegler, a OpenEvidence nasceu com a missão de ajudar profissionais de saúde a chegar mais rapidamente a diagnósticos e decisões clínicas baseadas em evidências. O sistema combina a linguagem natural das IAs conversacionais com o rigor científico da literatura médica revisada por pares.
O chatbot é treinado em publicações de alto prestígio, como o Journal of the American Medical Association (JAMA) e o New England Journal of Medicine, oferecendo respostas fundamentadas nas melhores fontes disponíveis. Segundo Nadler, o modelo é programado para recusar perguntas quando não tem confiança suficiente na resposta, reduzindo o risco de “alucinações” — ou seja, respostas erradas ou inventadas, um dos maiores problemas em IAs genéricas.
Crescimento acelerado e alcance global
Em apenas três anos, a OpenEvidence se tornou uma ferramenta amplamente usada por médicos, enfermeiros e profissionais de saúde em diferentes países. Atualmente, a plataforma apoia cerca de 15 milhões de consultas clínicas por mês, um salto considerável em relação aos 8,5 milhões registrados em julho de 2025.
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Com sede em Miami, a empresa adotou um modelo de expansão agressivo: o uso é gratuito para profissionais médicos verificados, sendo financiado por receita publicitária. De acordo com Nadler, essa estratégia — em vez de cobrar hospitais ou sistemas de saúde — foi crucial para alcançar mais de 10 mil centros médicos.
Sangeen Zeb, sócio do Google Ventures e investidor líder da nova rodada, afirmou que o sucesso da OpenEvidence é tamanho que “o nome da empresa está virando verbo”, sugerindo que o uso da ferramenta começa a se tornar rotina entre médicos.
Aposta bilionária em IA médica
A nova rodada de captação contou com a participação de Sequoia Capital, Kleiner Perkins, Blackstone, Thrive Capital, Coatue Management, BOND e Craft Ventures — um grupo que reflete o entusiasmo crescente do mercado com soluções de IA aplicadas à saúde.
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A OpenEvidence já havia levantado US$ 210 milhões em julho, com uma avaliação de US$ 3,5 bilhões. Com o novo aporte, a empresa ultrapassa a marca de US$ 500 milhões captados em apenas alguns meses — uma demonstração da velocidade e confiança com que investidores vêm apostando em seu modelo.
Segundo Nadler, os novos recursos serão destinados à expansão da infraestrutura de computação e treinamento dos modelos, além de um reforço nos investimentos em marketing e captação de usuários. A empresa vem crescendo cerca de 60 mil a 70 mil novos usuários por mês e já está a meio caminho de atingir US$ 100 milhões em receita publicitária, meta projetada para o próximo ano.
Uma mina de dados clínicos
Desde o início de sua operação, a OpenEvidence já processou mais de 100 milhões de consultas clínicas, um acervo valiosíssimo de dados que alimenta o aperfeiçoamento contínuo de seus modelos de IA. “Ninguém no mundo tem esse tipo de base de dados”, afirmou Nadler.
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Esse volume de informações confere à startup uma vantagem competitiva difícil de replicar: quanto mais a ferramenta é usada, mais precisa se torna — criando um ciclo virtuoso de aprendizado e eficiência.
O contexto do mercado
Embora alguns analistas alertem para uma possível supervalorização do setor de IA, o caso da OpenEvidence sugere que há espaço sólido para modelos especializados, voltados a setores de alto impacto e complexidade. Ao contrário das IAs genéricas, que tentam atender a todos os públicos, a OpenEvidence foca em um domínio onde precisão e confiabilidade são cruciais.
Seu crescimento ilustra uma tendência mais ampla: a de que o futuro da inteligência artificial pode estar nas soluções verticais — sistemas treinados para resolver problemas reais dentro de áreas específicas, como medicina, direito ou engenharia.
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Para investidores e profissionais de saúde, a OpenEvidence representa mais que uma promessa tecnológica: é um vislumbre de como a IA pode transformar a prática médica, tornando o acesso ao conhecimento científico mais rápido, preciso e seguro — e, quem sabe, redefinindo o papel da inteligência artificial na medicina do século XXI.
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