Pope Leo meets with members of MINDS
Créditos da imagem: @vaticanmedia

Papa Leão XIV faz apelo por comunicação ética e alerta sobre riscos da desinformação, dos clickbaits e da inteligência artificial

O Papa Leão fez um forte apelo por uma comunicação ética e responsável, pedindo que profissionais e empresas do setor enfrentem os desafios da desinformação, do sensacionalismo e do uso irresponsável da inteligência artificial. Citando o Papa Francisco, o Papa Leão convocou os “empreendedores corajosos, engenheiros de informação corajosos”, para evitar a degradação da comunicação através de clickbaits, notícias falsas e concorrência desleal.

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Durante seu discurso a membros da MINDS International, rede global de agências de notícias, o Papa destacou que as empresas de mídia estão na linha de frente e precisam equilibrar sustentabilidade econômica com o compromisso de oferecer informações precisas, equilibradas e de interesse público.

O desafio da inteligência artificial na era da informação

Ao tratar do avanço da inteligência artificial, o Papa alertou que a tecnologia adiciona uma nova camada de complexidade ao cenário da comunicação. Ele questionou: “Quem controla os algoritmos? Quem os direciona? E com quais propósitos?”

Segundo o pontífice, sistemas automatizados moldam cada vez mais a forma como as pessoas recebem informações, o que exige vigilância constante. O Papa enfatizou que o ser humano deve permanecer no centro das decisões tecnológicas e que o poder sobre as ferramentas digitais não pode ficar concentrado nas mãos de poucos.

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Jornalismo e verdade em um mundo de “pós-verdade”

Encerrando seu discurso, o Papa Leo citou a filósofa Hannah Arendt, autora de As Origens do Totalitarismo. Ele lembrou o alerta de Arendt de que o sujeito ideal de regimes totalitários não é o fanático ideológico, mas aquele que já não distingue o que é fato e o que é ficção, o que é verdadeiro e o que é falso.

Nesse contexto, o Papa ressaltou que os jornalistas têm um papel essencial. “Com seu trabalho paciente e rigoroso, vocês podem agir como uma barreira contra aqueles que, pela antiga arte da mentira, buscam dividir para dominar”, afirmou. Ele descreveu os profissionais da imprensa como um “bastião de civilidade” diante dos perigos da desinformação e do relativismo.

O Papa reforçou que transparência, responsabilidade e objetividade são valores indispensáveis na comunicação. “O mundo precisa de informação livre, rigorosa e objetiva”, destacou.

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Informação é um bem público

O Papa Leão afirmou que o momento atual exige discernimento e responsabilidade, pois os acontecimentos globais tornam o papel da mídia mais essencial — e ao mesmo tempo mais ameaçado — do que nunca. Ele destacou o paradoxo de que, em plena era da comunicação, as agências de notícias vivem uma crise, assim como o público, que enfrenta cada vez mais dificuldade em distinguir o verdadeiro do falso.

Mesmo assim, ele lembrou que “em um mundo saturado de informações, ninguém pode mais dizer: ‘eu não sabia’”.

Para o pontífice, a informação é um bem público que deve ser protegido por meio de jornalismo responsável e da colaboração entre cidadãos e comunicadores. Ele defendeu a criação de um “círculo virtuoso” em que o público apoia o jornalismo sério e independente, fortalecendo a vida democrática.

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Homenagem aos jornalistas em zonas de conflito

Durante o encontro, o Papa prestou homenagem aos jornalistas que atuam em áreas de guerra. “Se hoje sabemos o que acontece em Gaza, na Ucrânia e em tantas outras terras marcadas por bombas e sofrimento, devemos isso em grande parte a eles”, declarou.

O Papa reconheceu que esses profissionais arriscam a própria vida para garantir que a verdade chegue ao mundo. Ele os chamou de testemunhas extraordinárias que representam o resultado do trabalho diário de inúmeros comunicadores empenhados em impedir que a informação seja manipulada contra a dignidade humana.

“Fazer jornalismo não é crime”

Por fim, o Papa Leão reiterou seu apelo pela libertação de jornalistas presos injustamente. “Fazer o trabalho de um jornalista jamais pode ser considerado um crime. É um direito que precisa ser protegido”, afirmou.

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Ele alertou para tentativas de censurar ou manipular informações por motivos políticos ou ideológicos e pediu que os profissionais da comunicação se mantivessem fiéis à sua vocação, mesmo sob pressão. “O seu serviço exige competência, coragem e ética”, concluiu.

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