Quase metade das respostas de assistentes de IA sobre notícias contém erros, aponta estudo europeu
Créditos da imagem: Curto News/ChatGPT

Quase metade das respostas de assistentes de IA sobre notícias contém erros, aponta estudo europeu

Uma pesquisa recente realizada pela European Broadcasting Union (EBU) em parceria com a British Broadcasting Corporation (BBC) revela que os assistentes de inteligência artificial (IA) estão cometendo erros generalizados ao responder perguntas sobre notícias — um dado que acende alertas para quem depende dessas tecnologias como fonte de informação.

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O estudo avaliou cerca de 3.000 respostas de assistentes de IA em 14 línguas diferentes, investigando sua precisão, atribuição de fontes e capacidade de diferenciar fato de opinião. O resultado? Aproximadamente 45% das respostas continham ao menos um erro significativo, enquanto 81% apresentavam alguma forma de problema — seja ele menor ou maior.

Quais os tipos de falhas detectadas

Dentre os erros apontados:

  • Cerca de um terço das respostas tinham “erros de fonte” graves — isto é: atribuição faltante, incorreta ou enganosa de onde a informação vinha.
  • No caso da assistente Gemini, da Google LLC, o índice de problemas de fonte foi particularmente alto: 72% das respostas apresentaram esse tipo de falha, contra menos de 25% para outros modelos.
  • Quanto à acurácia, ou seja, se a informação era factual ou estava desatualizada ou incorreta, cerca de 20% das respostas ― em média entre todos os assistentes testados ― apresentavam esse tipo de falha.
  • Exemplos concretos incluem o caso em que o Gemini teria informado incorretamente sobre mudanças em uma lei sobre vaporizadores descartáveis, ou quando o ChatGPT teria considerado o Papa Francisco como o papa atual mesmo meses após seu falecimento.
Por que isso importa

Com o uso crescente desses assistentes de IA para buscar notícias — segundo o estudo, 7% dos consumidores online e 15% dos usuários com menos de 25 anos recorrem a eles para obter informações sobre o mundo — essas falhas representam uma ameaça à confiança pública. O diretor de mídia da EBU, Jean Philip De Tender, destaca que “quando as pessoas não sabem no que confiar, acabam não confiando em nada, e isso pode minar a participação democrática”.

Em um cenário onde as IAs começam a substituir — ou ao menos complementar — mecanismos tradicionais de busca e leitura de notícias, saber que quase metade das respostas contém algum erro grave eleva a importância de checar fontes e manter senso crítico. Além disso, a responsabilidade das empresas que desenvolvem essas ferramentas é colocada em foco: o relatório defende que essas empresas sejam responsabilizadas e aprimorem a forma como seus assistentes lidam com perguntas relativas a notícias.

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O que isso significa para o usuário

Para o público brasileiro e global, a mensagem é clara: usar assistentes de IA para se atualizar sobre o mundo exige cautela. Mesmo modelos avançados continuam com limitações — não são infalíveis. Verificar a fonte, comparar com meios de comunicação reconhecidos e sempre questionar se a resposta faz sentido são atitudes que ainda se mostram indispensáveis.

Em resumo: a tecnologia avança rápido — mas impecável ela ainda não é. E, enquanto isso, cabe ao usuário equilibrar a conveniência da IA com um olhar crítico e informado.

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