Relatório de Difusão de IA da Microsoft
A inteligência artificial (IA) está se espalhando pelo mundo em uma velocidade sem precedentes. Segundo o novo AI Diffusion Report, publicado pelo AI Economy Institute e pela Microsoft, mais de 1,2 bilhão de pessoas já usaram ferramentas de IA — um ritmo mais acelerado do que o da internet, do computador pessoal e até do smartphone.
O estudo classifica a IA como uma “tecnologia de uso geral”, ou seja, uma inovação com potencial de transformar toda a sociedade, assim como a eletricidade, o vapor e a própria internet fizeram em séculos anteriores. Mas, embora o avanço seja impressionante, ele não é igual para todos.
O relatório mostra que o uso de IA no Norte Global é quase o dobro do registrado no Sul Global, revelando uma nova divisão tecnológica que pode definir o futuro das próximas décadas.
De acordo com o relatório, toda grande revolução tecnológica depende de três forças principais:
“O progresso acelera quando essas três forças evoluem juntas”, destaca o estudo. Thomas Edison criou a lâmpada, mas foi a combinação de redes elétricas e consumidores que transformou a eletricidade em um bem essencial. O mesmo está acontecendo agora com a inteligência artificial.
A pesquisa revela que o uso da IA está fortemente ligado à infraestrutura digital e econômica. Países com acesso amplo à eletricidade, internet rápida e educação tecnológica apresentam níveis muito maiores de adoção.
Em Singapura e nos Emirados Árabes Unidos, mais da metade da população em idade ativa já utiliza ferramentas de IA — cerca de 59% e 58%, respectivamente. Esses países se destacam por terem investido durante décadas em conectividade, qualificação e políticas digitais coordenadas.
No entanto, em várias partes da África Subsaariana e da Ásia, a taxa de adoção ainda é inferior a 10%. Segundo o relatório, cerca de 4 bilhões de pessoas no mundo continuam sem as condições básicas para usar a IA — incluindo acesso confiável à eletricidade e à internet.
No Brasil, o uso da inteligência artificial cresce rapidamente entre empresas e usuários conectados, mas o país ainda enfrenta grandes desigualdades regionais e estruturais. Segundo o AI Diffusion Report, apenas uma parcela da população tem acesso pleno às ferramentas mais avançadas, concentrada principalmente nos grandes centros urbanos e em setores de alta tecnologia. A limitação de infraestrutura digital, com acesso irregular à internet de alta velocidade, e a baixa oferta de qualificação profissional em IA e ciência de dados freiam o ritmo de adoção nacional.
Embora o Brasil tenha um ecossistema promissor de startups de IA e iniciativas em universidades, o país ainda está distante do desempenho observado em economias como Singapura ou Emirados Árabes Unidos. O relatório aponta que, sem políticas públicas voltadas à educação tecnológica, conectividade e inclusão digital, o Brasil corre o risco de ampliar a distância em relação às nações líderes na revolução da inteligência artificial.
Os dados mostram que os Estados Unidos e a China concentram 86% da capacidade global de data centers, o que significa que a base física da IA ainda está nas mãos de poucas nações.
Além disso, a barreira do idioma se tornou um novo desafio. “A IA é construída sobre dados — principalmente linguagem humana”, explica o relatório. No entanto, metade do conteúdo da internet está em inglês, mesmo que apenas 5% da população mundial seja nativa nesse idioma.
Isso limita o acesso de milhões de pessoas em países onde predominam línguas pouco representadas na web, como o chichewa no malawi ou o laosiano no Laos. Nessas regiões, mesmo com internet e eletricidade, a IA se torna praticamente inacessível.
O relatório mostra que países de idiomas com poucos recursos têm taxas de adoção 20% menores, mesmo em condições semelhantes de renda e conectividade.
O estudo também apresenta três índices que ajudam a entender o avanço da IA no mundo:
Hoje, apenas sete países abrigam modelos de IA de ponta: Estados Unidos, China, Coreia do Sul, França, Reino Unido, Canadá e Israel. Mas a diferença entre eles está diminuindo. A China, por exemplo, está apenas seis meses atrás dos EUA em desempenho médio de modelos.
“O ritmo de avanço na fronteira é o mais rápido da história”, afirma o relatório, indicando que a corrida pela IA é mais dinâmica que qualquer revolução tecnológica anterior.
O documento relembra um exemplo clássico do século 20. Em 1960, Coreia do Sul e Filipinas tinham níveis semelhantes de renda e educação. Porém, ao investir em manufatura, tecnologia e educação, a Coreia do Sul deu um salto de desenvolvimento.
“Superar a barreira linguística e digital não é apenas um desafio técnico”, aponta o relatório. “É uma oportunidade de garantir que a inteligência artificial sirva a toda a humanidade, em todos os idiomas.”
O país não inventou os semicondutores, mas se tornou líder mundial em sua produção — graças à capacidade de adotar e aprimorar tecnologias criadas em outros lugares. “O sucesso sul-coreano mostra que a adoção tecnológica pode impulsionar uma nação inteira”, destaca o relatório.
A pesquisa deixa claro que a próxima etapa do avanço da inteligência artificial será garantir acesso equitativo. Enquanto os países ricos já colhem os benefícios da automação e da produtividade, grande parte da população mundial ainda enfrenta barreiras estruturais.
A Microsoft e o AI Economy Institute concluem que o valor real da IA será medido não pelo número de modelos criados, mas pelos benefícios sociais que ela gerar.
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Este post foi modificado pela última vez em 31 de outubro de 2025 15:58
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