O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira (2) uma nova ordem executiva que cria um mecanismo de revisão voluntária para os modelos de inteligência artificial (IA) mais avançados desenvolvidos por empresas americanas. A medida marca uma mudança significativa na postura da atual administração, que vinha defendendo uma abordagem mais flexível para o setor e resistindo a regulações que pudessem desacelerar a corrida tecnológica contra a China.
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Pelo novo modelo, empresas de IA poderão compartilhar seus sistemas com órgãos federais até 30 dias antes do lançamento público. Durante esse período, agências de segurança nacional e especialistas em cibersegurança avaliarão potenciais riscos associados às novas tecnologias, especialmente vulnerabilidades que possam ser exploradas por criminosos ou governos estrangeiros.
A iniciativa surge em meio ao crescimento das preocupações sobre o poder dos chamados modelos de fronteira — sistemas capazes de executar tarefas altamente complexas, incluindo descoberta de falhas em softwares, automação de ataques cibernéticos e análise avançada de infraestrutura crítica.
De proposta rígida a acordo voluntário
A versão final da ordem executiva é consideravelmente mais branda do que os planos inicialmente discutidos na Casa Branca.
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Nas últimas semanas, documentos preliminares indicavam que o governo pretendia solicitar acesso aos modelos com até 90 dias de antecedência. O objetivo era criar uma janela maior para testes de segurança e avaliações de risco. No entanto, após pressão de líderes do setor tecnológico e debates internos na administração Trump, o prazo foi reduzido para 30 dias e o processo passou a ser inteiramente voluntário.
Segundo relatos da imprensa americana, o próprio Trump havia adiado a assinatura da medida no mês passado por receio de que uma supervisão excessiva prejudicasse a liderança dos Estados Unidos na disputa global pela inteligência artificial. Em declarações públicas, o presidente afirmou que não queria adotar medidas que pudessem reduzir a vantagem americana em relação à China.
A solução encontrada buscou equilibrar duas pressões opostas: de um lado, especialistas em segurança nacional defendendo mecanismos de supervisão; de outro, empresas e investidores preocupados com atrasos no lançamento de novos produtos.
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Segurança cibernética no centro da estratégia
Além da revisão prévia dos modelos, a ordem executiva determina o fortalecimento das defesas cibernéticas federais e a ampliação da cooperação entre governo e setor privado.
Agências como os Departamentos de Defesa, Tesouro, Segurança Interna e Comércio participarão das avaliações técnicas dos sistemas submetidos pelas empresas. O texto também prevê a criação de mecanismos de coordenação para identificar vulnerabilidades em infraestruturas críticas, incluindo setores como energia, finanças e saúde.
A medida ganhou força após o surgimento de modelos de IA extremamente avançados, capazes de auxiliar na identificação de falhas de segurança em larga escala. Algumas dessas tecnologias chegaram a ter sua disponibilização pública limitada por preocupações relacionadas ao uso malicioso.
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Críticas apontam falta de força regulatória
Apesar de representar uma mudança na política da Casa Branca, a nova ordem executiva está longe de ser consenso.
Críticos argumentam que a iniciativa possui impacto limitado justamente por depender da adesão voluntária das empresas. Organizações da sociedade civil e alguns legisladores defendem a criação de uma legislação federal mais robusta, com exigências obrigatórias de auditoria, transparência e prestação de contas para modelos considerados de alto risco.
Especialistas também observam que ainda não está claro quais critérios serão utilizados para definir quais sistemas devem passar pela revisão governamental, nem quais consequências poderão existir para empresas que optarem por não participar.
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Por outro lado, defensores da medida afirmam que o modelo voluntário oferece um caminho intermediário entre inovação e segurança, evitando uma regulamentação considerada excessiva em um momento de intensa competição internacional.
Um sinal de como será a governança da IA nos próximos anos
A nova ordem executiva evidencia um dilema que tem se repetido em governos ao redor do mundo: como controlar riscos cada vez mais reais sem sufocar uma das tecnologias mais estratégicas da atualidade.
Embora não imponha obrigações legais às empresas, a decisão da administração Trump sugere que a segurança da IA passou definitivamente a integrar a agenda de defesa nacional dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, reforça a preferência do governo por mecanismos de colaboração com a indústria, em vez de regulações rígidas.
O resultado é um modelo que tenta preservar a velocidade da inovação americana enquanto busca construir, ainda que de forma limitada, uma camada adicional de supervisão para as tecnologias que poderão definir a próxima década da inteligência artificial.
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