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Dia da Sobrecarga da Terra: por que estamos todos vivendo de crédito pelo resto do ano?

Este ano, o 'Dia da Sobrecarga da Terra' – o ponto em que exaurimos os recursos que a Terra pode regenerar em um ano enquanto também processamos seus resíduos – cai nesta quarta-feira, 2 de agosto. No início dos anos 1970, esse dia chegava no final de dezembro. 🌎

Publicado por
Isabella Caminoto

Hoje, a humanidade terá esgotado toda a carne, peixe, cereais e florestas que o planeta pode produzir e renovar em um ano. Nos meses que se seguem, a nossa população de 8 bilhões esgotará recursos não renováveis ​​no crédito, produzindo resíduos – principalmente emissões de CO2 – que não podem ser gerenciados adequadamente. Esta situação tem consequências graves para o ambiente, o clima e o nosso futuro.

O déficit ecológico da humanidade desde 1971

Desde o início dos anos 1970, a humanidade vive um déficit ecológico, segundo cálculos do think-tank americano Global Footprint Network (GFN). A organização de pesquisa que mede a pegada ecológica das atividades humanas no mundo, ou seja o impacto que deixamos por aqui, publica um relatório anual “Earth Overshoot Day” com base em dados das Nações Unidas .

Este “Dia da Sobrecarga da Terra” global caiu em 25 de dezembro de 1971, depois em 26 de setembro de 1999. Seis anos depois, em 2005, saltou para 27 de agosto. De ano para ano, exceto durante a pandemia de covid-19, essa data é antecipada aos poucos, impactando as reservas para as gerações futuras.

Embora esses cálculos baseados na pegada de carbono enfrentem críticas de cientistas, muitos países os consideram seriamente, reconhecendo-os como uma ferramenta eficaz para divulgar o consumo excessivo.

Como a pegada ecológica é calculada?

Leva-se em conta a quantidade de terra e a área marítima biologicamente produtiva necessária para produzir todos os recursos que uma população consome e também para absorver seus resíduos. Para manter o atual ritmo mundial de produção e consumo, a humanidade demanda 75% a mais de recursos naturais do que os ecossistemas do planeta conseguem regenerar ao longo de um ano. Ou seja, estamos extrapolando a própria biocapacidade da Terra.

A diferença entre a capacidade de regeneração do planeta e o consumo humano gera um saldo ecológico negativo que vem se acumulando desde a década de 1970, quando a GFN começou a medir a pegada ecológica. Historicamente, estamos no vermelho há bastante tempo — só que essa dívida vem crescendo e sendo contraída cada vez mais cedo.

Os 10 principais países consumidores de recursos

Quais países consomem seus próprios recursos mais rapidamente? Em 2023, o Catar esgotou seus recursos em apenas 41 dias (10 de fevereiro), à frente de Luxemburgo (14 de fevereiro), Canadá, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos (13 de março). Em seguida vêm a Austrália (23 de março), Bélgica (26 de março), Dinamarca (28 de março), Finlândia (31 de março) e Coreia do Sul (2 de abril).

Em 2023, os dez países com os últimos ‘Dias da Sobrecarga’ são tipicamente de baixo consumo devido à pobreza, riqueza em recursos ou ambos. Eles incluem Benin (26 de dezembro), Sudão do Sul (25 de dezembro), Mali (21 de dezembro), Jamaica (20 de dezembro), Chade (16 de dezembro), Mianmar (15 de dezembro), Equador (6 de dezembro), Indonésia (3 de dezembro) , Papua Nova Guiné (2 de dezembro) e Marrocos (26 de novembro).

Reduzindo a pegada — e a dívida

Um maior compromisso dos países, seguido de ações concretas dos governos, ajudaria significativamente a frear o crescimento da pegada ecológica e, eventualmente, contribuir para sua mitigação, reduzindo a pressão sobre o Planeta. A Global Footprint Network destaca que é possível aumentar a segurança de recursos em áreas prioritárias, onde já existem soluções viáveis e escaláveis, como energia e emissões, alimentação, cidades e população, só para citar algumas.

Segundo a GFN, se o “Dia da Sobrecarga” fosse reduzido em cinco dias por ano até 2050, os recursos do planeta seriam suficientes para o consumo humano.

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Este post foi modificado pela última vez em 2 de agosto de 2023 12:06

Isabella Caminoto

Advogada e mestranda em Direito Internacional, tenho a democracia e a liberdade como bandeiras irrenunciáveis. Sou apaixonada pelos animais e acredito que o bem-estar do nosso planeta deveria ser o destaque diário da pauta da nossa sociedade.

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