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Europeus querem reforçar o projeto que pretende banir importações que contribuem para o desmatamento

Ao votar sobre a proposta de lei - que exigirá das empresas uma garantia de que os produtos vendidos na União Europeia (UE) não são provenientes do desmatamento global - o Parlamento Europeu pediu, nesta terça-feira (13), um plano mais rígido, que inclua a expansão de seu escopo de ação para a borracha e o setor financeiro.

Publicado por
Isabella Caminoto

Reunidos em Estrasburgo, os eurodeputados adotaram, por ampla maioria, a sua posição sobre este texto da Comissão Europeia, que ainda deve negociar com os Estados-membros. 

Na origem de 16% do desmatamento global por meio de suas importações, a UE é o segundo maior destruidor de florestas tropicais – atrás somente da China – segundo a ONG de proteção ambiental WWF. 

Para limitar este impacto, a Comissão propôs, no final de 2021, a proibição de importação para a UE de seis produtos (soja, carne bovina, óleo de palma, madeira, cacau e café e produtos associados, como couro ou mobiliário) se a sua produção vier de terras desmatadas após dezembro de 2020. 

O texto votado pelos eurodeputados nesta terça-feira (13) vai mais longe. Foram acrescentados à lista de produtos banidos: a carne de porco e de carneiro, aves, milho, carvão vegetal, papel e sobretudo borracha – cujo cultivo ameaça as florestas da África Ocidental. 

O Parlamento também quer que a proibição se aplique a terras desmatadas “após 31 de dezembro de 2019”, um ano antes.

“Equilíbrio”

Na prática, as empresas importadoras serão responsáveis por sua cadeia de suprimentos, podendo a rastreabilidade ser exercida por meio de dados de geolocalização de cultivos e fotos de satélite

Terão que declarar esses dados aos Estados, que poderão assim verificar o cumprimento das regras. 

Os infratores enfrentarão multas proporcionais aos danos ambientais

O nível de exigência cobrado dos importadores variaria de acordo com o risco de desmatamento na região produtora.

“Devemos encontrar o equilíbrio entre a nossa ambição e a aplicabilidade das regras”, explicou Christophe Hansen, relator do texto, que espera “negociações difíceis” com os Estados. 

“Se colocarmos a barra muito alta, os produtos visados serão produzidos da mesma forma e continuarão sendo exportados para outros mercados”, declarou Hansen. 

O Parlamento também votou para impor “exigências adicionais” às instituições financeiras para que seus empréstimos e investimentos não contribuam para o desmatamento.

Por outro lado, rejeitou as alterações que propunham ampliar o escopo do texto a outros ecossistemas ameaçados (savanas, zonas úmidas, pampas, etc.), apelando apenas a uma “cláusula de revisão” que poderia permitir a revisão deste ponto no próximo ano.

“Este texto não vai proteger as turfeiras do Congo, nem o Cerrado brasileiro destruído pela produção de soja (…) O caminho é longo”, afirmou a eurodeputada Marie Toussaint. 

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(Com AFP)

Este post foi modificado pela última vez em 13 de setembro de 2022 18:34

Isabella Caminoto

Advogada e mestranda em Direito Internacional, tenho a democracia e a liberdade como bandeiras irrenunciáveis. Sou apaixonada pelos animais e acredito que o bem-estar do nosso planeta deveria ser o destaque diário da pauta da nossa sociedade.

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