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Mais da metade dos maiores lagos e reservatórios do mundo estão secando, diz estudo

Mais da metade dos maiores lagos e reservatórios do mundo estão secando, pondo em risco o futuro hídrico da humanidade, afirma um estudo publicado nesta quinta-feira (18), que aponta como principais responsáveis o consumo insustentável e as mudanças climáticas.

Publicado por
Agence France-Presse

“Os lagos estão em dificuldades em todo o mundo e isso tem implicações por toda parte”, disse à AFP Balaji Rajagopalan, professor da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos, e coautor da pesquisa, publicada na revista Science.

“Realmente chamou nossa atenção que 25% da população mundial viva em uma bacia lacunar que está com tendência de declínio”, acrescentou, o que significa que cerca de dois bilhões de pessoas são impactadas por estas descobertas.

Ao contrário dos rios, que tendem a monopolizar a atenção dos cientistas, os lagos não são bem monitorados, apesar de sua importância crítica para a segurança hídrica, disse Rajagopalan.

Mas desastres ambientais de grandes proporções em corpos hídricos vastos, como o mar Cáspio e o mar de Aral, mostraram aos cientistas uma crise mais ampla.

Para acompanhar a questão sistematicamente, a equipe de pesquisadores, que inclui cientistas de Estados Unidos, França e Arábia Saudita, observou os maiores 1.972 lagos e reservatórios da Terra, usando dados de satélites de 1992 a 2020.

Eles se concentraram em vastos corpos de água doce por causa da maior precisão dos satélites para registrar escalas maiores, e também por sua importância para os seres humanos e os animais selvagens.

‘Clima permeia todos os fatores’

Sua base de dados reuniu imagens do Landsat, o programa de observação da Terra mais antigo em atividade, com informações sobre a altura da superfície da água, obtidas por altímetros via satélite, para determinar como o volume lacunar variou ao longo de quase 30 anos.

O resultado foi que 53% dos lagos e reservatórios registram declínio no armazenamento de água a uma proporção de aproximadamente 22 gigatoneladas por ano.

Ao longo do período estudado, foram perdidos 603 quilômetros cúbicos de água, 17 vezes o volume de água do Lago Mead, o maior reservatório dos Estados Unidos.

Para descobrir as causas desta perda, a equipe de pesquisadores usou modelos estatísticos incorporando tendências climatológicas e hidrológicas para identificar fatores naturais e os provocados pelo homem.

No caso dos lagos naturais, grande parte da perda líquida foi atribuída tanto ao aquecimento global quanto ao consumo de água pelos humanos.

As temperaturas mais altas provocadas pelo aquecimento global levaram à evaporação, mas também podem ter diminuído a precipitação em alguns lugares.

“O sinal climático permeia todos os fatores”, disse Rajagopalan.

Fangfang Yao, principal autor do estudo e membro visitante da Universidade do Colorado, acrescentou em nota: “muitos dos impactos humanos e das mudanças climáticas na perda de água dos lagos já eram conhecidos anteriormente, como a dessecação do Lago Good-e-Zareh no Afeganistão e do Mar Chiquita, na Argentina”, que apesar do nome é um lago em Córdoba (centro-norte).

Perdas também em regiões úmidas

Um aspecto surpreendente foi que tanto lagos em regiões secas quanto nas úmidas estão perdendo volume, sugerindo que o paradigma “o seco fica mais seco e o úmido, mais úmido”, frequentemente usado para resumir como as mudanças climáticas afetam as regiões, nem sempre se mantém.

Perdas foram registradas tanto em lagos tropicais úmidos na Amazônia, como no Ártico, demonstrando uma tendência mais disseminada do que se previa.

Além disso, a perda de armazenamento em reservatórios em processo de secagem foi apontada como responsável pela acumulação de sedimentos

Mas, embora a maioria dos grandes lagos no mundo esteja secando, quase um quarto teve um aumento significativo em seu armazenamento hídrico.

Entre eles está o Planalto Tibetano, “onde o recuo das geleiras e o degelo do permafrost foram parcialmente responsáveis pela expansão do lago alpino”, ressaltou o artigo.

Hilary Dugan, cientista que estuda sistemas de água doce na Universidade do Wisconsin em Madison e que não participou do estudo, disse à AFP que a pesquisa avançou na compreensão cientifica sobre a variabilidade do volume lacunar, o que é de “suma importância”.

É “única ao se concentrar em lagos específicos e registrar a quantidade de água como volume”, afirmou.

Mas também ponderou: “é importante ter em mente que muitas fontes de abastecimento de água são lagos e reservatórios pequenos” e que novas pesquisas precisam considerá-los também.

Globalmente, lagos e reservatórios armazenam 87% da água doce do planeta, o que reforça a urgência de se adotar novas estratégias para o consumo sustentável e a mitigação das mudanças climáticas.

“Se boa parte dos lagos de água doce estão morrendo, então vamos ver o impacto chegar de um jeito ou de outro, se não agora, no futuro não muito distante”, afirmou Rajagopalan.

“Então, cabe a todos nós sermos bons administradores”, concluiu.

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Este post foi modificado pela última vez em 18 de maio de 2023 18:54

Agence France-Presse

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