[gtranslate]

Marinha afunda no Atlântico antigo porta-aviões com material tóxico

A Marinha anunciou nesta sexta-feira (3) que afundou no Atlântico um antigo porta-aviões francês, que estava desativado e, segundo o Ministério Público Federal (MPF), repleto de resíduos tóxicos. A decisão foi criticada por ONGs que defendem o meio ambiente.

Publicado por
João Caminoto

O procedimento “planejado e controlado ocorreu no fim da tarde” de hoje, a cerca de 350 km da costa, em uma área de “profundidade aproximada de 5.000 metros”, informou a Marinha.

A decisão, anunciada esta semana, causou polêmica, porque o antigo porta-aviões “Foch”, de 266 metros de comprimento, está cheio de amianto, tintas e outros resíduos tóxicos, segundo várias ONGs e o MPF.

“A sucata da embarcação atualmente conta com 9,6 toneladas de amianto, substância com potencial tóxico e cancerígeno, além de 644 toneladas de tintas e outros materiais perigosos”, afirmou esta semana o MPF, que tentou evitar o afundamento com múltiplos recursos judiciais.

O MPF argumenta que “nota técnica do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aponta para o risco de danos ambientais graves no caso de eventual afundamento, especialmente levando em consideração que o casco se encontra avariado”.

O navio, que vagou por meses no Atlântico sem porto para recebê-lo, foi descrito como “um pacote tóxico de 30 mil toneladas” pela organização francesa Robin des Bois.

Afundamento espontâneo inevitável

Mas a Marinha do Brasil e o Ministério da Defesa anunciaram na noite de quarta-feira que não havia outra opção devido ao seu mau estado e por não encontrarem um porto para acolhê-lo. Caso contrário, disseram, um afundamento espontâneo do casco seria inevitável.

A operação ocorreu logo após a autorização de um juiz de segunda instância, que rejeitou um pedido do MPF, de acordo com a imprensa brasileira.

Interromper o naufrágio “provavelmente resultaria em inutilidade, dada a iminência de afundamento espontâneo do casco, o que em nada favoreceria o meio-ambiente e ainda poderia proporcionar riscos à vida e à incolumidade da tripulação”, escreveu o desembargador do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) em sua decisão, segundo o G1.

“O procedimento foi conduzido com as necessárias competência técnica e segurança pela Marinha do Brasil, a fim de evitar prejuízos de ordem logística, operacional, ambiental e econômica ao Estado brasileiro”, garantiu a Marinha.

Construído na década de 1950 em Saint-Nazaire, no oeste da França, o “Foch”, que serviu à Marinha francesa por 37 anos, foi afundado por um rebocador holandês, contratado pelo estaleiro turco Sok Denizcilik.

O estaleiro havia comprado o porta-aviões como sucata em abril de 2021 para desmontá-lo, mas corria o risco de abandoná-lo na falta de encontrar um porto para recebê-lo.

Em junho de 2022, o estaleiro turco obteve autorização das autoridades brasileiras para conduzi-lo até a Turquia para ser desmontado. Mas, quando estava na altura do estreito de Gibraltar, no final de agosto, as autoridades ambientais turcas informaram que a embarcação não era mais bem-vinda.

A antiga glória da Marinha Francesa, capaz de catapultar aeronaves de 12 a 15 toneladas a uma velocidade de decolagem de 278 quilômetros por hora, havia sido adquirida pelo Brasil em 2000 e rebatizado como “São Paulo”.

(com AFP)

Receba notícias e newsletters do Curto News pelo Telegram e WhatsApp.

Este post foi modificado pela última vez em 4 de fevereiro de 2023 08:36

João Caminoto

Jornalista com mais de 30 anos de experiência, ocupei diversos cargos - desde repórter, passando por correspondente internacional até diretor de redação - em diversas casas, como o Estadão, Broadcast, Época, BBC, Veja e Folha. Me sinto privilegiado em ter abraçado essa profissão. Apaixonado pela minha família e pelo Corinthians.

Posts recentes

Quando a IA afasta o médico do paciente: o novo desafio do diagnóstico à beira do leito

A inteligência artificial (IA) está transformando rapidamente a medicina. Sistemas capazes de analisar exames de…

24 de julho de 2026

OMS reúne 37 países para definir regras globais sobre inteligência artificial na saúde

A Organização Mundial da Saúde reuniu ministros, autoridades governamentais e especialistas de 37 países em…

15 de julho de 2026

IA promete eficiência na saúde, mas Harvard alerta para risco de desumanização do cuidado

A inteligência artificial (IA) já começa a transformar hospitais, consultórios e sistemas de saúde, assumindo…

10 de julho de 2026

GPT-5.6: OpenAI apresenta sua IA mais poderosa, mas restringe acesso a poucos parceiros

A OpenAI apresentou oficialmente o GPT-5.6, sua mais nova geração de modelos de inteligência artificial…

29 de junho de 2026

OpenAI entra na guerra dos chips e desafia Nvidia e Google na corrida pela infraestrutura da IA; conheça o Jalapeño

A OpenAI deu um passo que pode redefinir o equilíbrio de poder no setor de…

25 de junho de 2026

OpenAI ajuda a desvendar doenças raras infantis e dá nova esperança a casos sem diagnóstico

Um dos maiores desafios da medicina moderna está nos chamados "casos sem resposta": pacientes que…

23 de junho de 2026