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Meio ambiente: discurso de Lula e o que esperar do próximo governo sobre o tema

As políticas ambientais e a preservação da Amazônia estiveram no discurso de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente eleito falou que o Brasil "está pronto para retomar o protagonismo na luta contra a crise climática" e que o próximo governo vai "lutar pelo desmatamento zero na Amazônia". Mas como isso será feito na prática? Poderá o Brasil recuperar a credibilidade junto à comunidade internacional? O Curto News conversou com especialistas sobre o tema. Veja o que eles disseram.

Publicado por
Marcela Guimarães

A convite do Curto News, dois ambientalistas analisaram trechos do discurso do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva sobre o meio ambiente: Carlos Rittl, especialista em política internacional da Rainforest Foundation da Noruega, e André Guimarães, diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

Para Carlos Rittl, os compromissos assumidos pelo presidente Lula em seu discurso são muito importantes e representam uma mudança radical em relação à guerra declarada por Bolsonaro às florestas, aos povos indígenas e às leis ambientais.

“Bolsonaro deu aos criminosos ambientais a certeza de impunidade, e o desmatamento da Amazônia e a violência contra os povos da floresta explodiram. E a cooperação entre o Brasil e outros países em meio ambiente desapareceu”.

O presidente eleito comprometeu-se a retomar o protagonismo do Brasil frente à crise climática, em lutar pelo desmatamento zero na Amazônia, combater os crimes ambientais, criar um ministério para tratar dos direitos dos povos indígenas e retomar a cooperação internacional para proteger a Amazônia.

André Guimarães sustenta que há uma grande expectativa de mudança na orientação do país em relação ao que se faz com a Amazônia. Lembra do desmonte dos órgãos de fiscalização ambiental – o que acarretou num aumento “violento” no desmatamento nos últimos 3 ou 4 anos. Na opinião dele, Lula mostrou, claramente, que tem o combate ao desmatamento na Amazônia como uma prioridade. Escute o que ele diz:

Ao mesmo tempo, o diretor executivo do IPAM, reforça que o instituto não vai se omitir diante de eventuais erros cometidos pela nova gestão.

Carlos Rittl, diz que retomar o protagonismo do Brasil frente à crise climática “não será tarefa fácil.”

“Isso significa recuperar toda a governança ambiental e climática do Brasil desmantelada por Bolsonaro, reestruturar e fortalecer o Ibama, o ICMBio, a Funai, seus orçamentos e quadros, tolerância zero com o desmatamento, retirada de invasores de terras indígenas. E em 2023 o presidente Lula iniciará seu novo mandato com o pior orçamento para meio ambiente em décadas, e com um crime ambiental muito organizado em máfias de grileiros, da madeira e do ouro ilegais com muito dinheiro e entranhadas no meio da Amazônia”.

Ainda assim, Rittl acredita que o legado construído por Lula no passado poderá auxiliá-lo – o que pode ser presumido diante da receptividade que os líderes mundiais têm demonstrado ao seu retorno à Presidência.

“Mas junto à comunidade internacional Lula tem muito crédito. O Brasil foi protagonista no combate ao desmatamento e na redução de emissões de gases de efeito estufa entre países em desenvolvimento durante a sua gestão anterior. E a forma excepcional como o seu retorno à Presidência tem sido acolhido por líderes mundiais mostra que as possibilidades de retomada da cooperação entre os governos do Brasil e de países ricos para a proteção da Amazônia, de seus povos e para a retomada das políticas de clima nacionais é muito grande”.

Por fim, Guimarães reforça que “colocar o Brasil na direção certa” significa combater o desmatamento nos biomas brasileiros – o que devolveria o nosso prestígio internacional.

Curto curadoria:

Vídeo por: The Economist

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Este post foi modificado pela última vez em 24 de novembro de 2022 19:15

Marcela Guimarães

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