[gtranslate]

Talvez seja hora de parar de usar o urso polar como símbolo da crise climática; descubra o porquê

Sozinho no Ártico, rodeado pelo desaparecimento do gelo marinho, poucas realidades relacionadas à crise climática são mais conhecidas do que a situação do urso polar. Os mamíferos marinhos, que dependem fortemente do gelo marinho para a caça, serão extintos em grande parte da região, alertam os cientistas.

Publicado por
Isabella Caminoto

Declínios de longo prazo já foram registrados em três das 19 subpopulações de ursos polares encontradas em todo o Ártico, incluindo aquelas na parte ocidental da Baía de Hudson, no Canadá – entre as populações mais ao sul – cujos números caíram de uma estimativa de 842 para 618 entre 2016 e 2021.

Mas alguns investigadores alertam que existem outras espécies que seriam mais adequadas como símbolos da vida selvagem ameaçada por um mundo em aquecimento. Isso porque, devido à uma lacuna de dados – principalmente na Rússia e em partes da Groenlândia – não é possível precisar a real situação mundial do urso polar.

“Não podemos falar sobre um estado global dos ursos [por causa das lacunas de dados]”, diz o professor Andrew Derocher, especialista em ursos polares da Universidade de Alberta, autor de alguns dos primeiros estudos sobre o efeito das alterações climáticas em ursos polares. “Você tem que ter uma perspectiva mais subpopulacional. Alguns estão indo bem, outros não. Isso cria muita confusão no trabalho com caçadores Inuit no Canadá, que dizem estar vendo muitos ursos. Eu digo: ‘Sim, porque você mora em uma área onde há muitos ursos, mas há outros lugares onde eles não estão tão bem’”.

A selective focus shot of polar bears – Fonte: Freepik

Além disso, em um cenário de emissões elevadas, muitas subpopulações de ursos polares poderão desaparecer completamente neste século, alertam alguns cientistas.

“Temos 19 populações de ursos polares em todo o Ártico e 19 cenários diferentes estão a desenrolar-se ao longo do tempo”, diz Derocher. “Acho que nossa melhor análise é que todos eles não serão extintos neste século.”

Leia também:

Este post foi modificado pela última vez em 1 de setembro de 2023 13:29

Isabella Caminoto

Advogada e mestranda em Direito Internacional, tenho a democracia e a liberdade como bandeiras irrenunciáveis. Sou apaixonada pelos animais e acredito que o bem-estar do nosso planeta deveria ser o destaque diário da pauta da nossa sociedade.

Posts recentes

OpenAI ajuda a desvendar doenças raras infantis e dá nova esperança a casos sem diagnóstico

Um dos maiores desafios da medicina moderna está nos chamados "casos sem resposta": pacientes que…

23 de junho de 2026

Argentina quer criar empresas comandadas por IA — e acende debate global sobre responsabilidade e poder

A Argentina deu um passo inédito na corrida global pela inteligência artificial (IA). O governo…

22 de junho de 2026

Data centers no espaço? Musk revela plano para levar a IA à órbita terrestre

A corrida global pela inteligência artificial (IA) acaba de ganhar uma nova fronteira: o espaço.…

14 de junho de 2026

Metade dos norte-americanos teme perder o emprego para a IA — e a ansiedade só aumenta

A inteligência artificial (IA) já deixou de ser uma promessa tecnológica distante para se tornar…

13 de junho de 2026

IA supera professores de Direito em estudo de Stanford e acende debate sobre o futuro da educação jurídica; confira

A inteligência artificial (IA) acaba de alcançar mais um marco simbólico na educação superior. Um…

9 de junho de 2026

IA tem custo ambiental maior do que se imaginava, alerta relatório da ONU

A inteligência artificial (IA) está transformando setores inteiros da economia, impulsionando avanços em saúde, educação,…

9 de junho de 2026