Inteligência Artificial: entre a revolução e a regulação – profissionais discutem o futuro da IA
A popularização do ChatGPT despertou no mundo expectativas, entusiasmo e temor sobre o futuro das Inteligências Artificiais. Até que ponto a tecnologia vem para somar na sociedade moderna? E quando ela representa um risco real para os negócios e até para o futuro da humanidade? Especialistas e governos debatem regulação e freios éticos. Conversamos com especialistas para entender o que pode/deve ser feito nesse sentido. Segue o 🧵
Publicado por
Uesley Durães
21 de abril de 2023 10:16
Nos últimos meses a inteligência artificial ganhou destaque nos noticiários, influenciou pessoas e colocou pulga atrás da orelha até de especialistas no assunto – quem dirá de nós, meros mortais.
O ChatGPT virou febre rapidamente e assustou quem não tinha ideia da capacidade de criação e produção sobre-humana da IA. A partir disso, discussões sobre privacidade, segurança e conflitos éticos da plataforma se intensificaram.
A União Europeia, por exemplo, já discute medidas regulatórias para IAs e a Itália foi o primeiro país a barrar o ChatGPT. A China, por sua vez, exige que o ChatGPT remova conteúdos que envolvam violência, pornografia ou que perturbe a ordem social e econômica do país.
O que dizem os especialistas?
Para o advogado especialista em Lei Geral de Proteção de Dados e doutor em Direito Público, João Henrique Orssato, a regulação tem que acontecer. No entanto, a grande questão em torno disso é como esse movimento será feito e qual deve ser o grau de interferência do Estado na atuação da inteligência artificial.
“Acho que a questão de se deveria ser regulado ou não já está superada. Deve sim. Hoje em dia tudo tem regulação. Acho que o fator é mais na dosagem do quanto isso deve ser regulado. Qual é o grau de interferência que o Estado deve ter. O Estado interfere em todos os aspectos da nossa vida. Acho que é mais uma questão de quanto que ele deve regular do que se deve regular, até porque você tem impactos específicos na vida das pessoas”.
Sobre o grau regulatório que deve ser imposto as IAs, o advogado explica: o que é consumido diretamente pelo ser humano e o que tem maior impacto na vida da gente, deve estar no foco e ser regulamentado.
De forma lúdica, ele explica: o papel, por exemplo, é menos regulamentado que alimento. Por que? O alimento tem impacto direto na vida humana. Entendeu?
Desse modo, a depender da interferência de uma ferramenta como o ChatGPT na vida das pessoas, o nível de regulamentação será maior, e deve variar.
“Aquilo que interage diretamente com o ser humano, aquilo que tem uma resposta que vai ter impacto direto dentro do ser humano, talvez seja o caso de você ter uma regulamentação mais intensa”, frisa Orssato.
Para o advogado especialista em Lei Geral de Proteção de Dados, João Henrique Orssato, a regulação da inteligência artificial tem que acontecer. No entanto, a grande questão em torno disso é como esse movimento será feito e qual deve ser o grau de interferência do Estado.
Quem está sendo beneficiado pela inteligência artificial
Na outra ponta da discussão, mas não menos importante, há quem já esteja usando as ferramentas de inteligência artificial no dia a dia profissional. É o caso da CBRDoc, uma startup que se intitula como o “shopping dos documentos”.
A empresa é responsável por agilizar a obtenção de documentos para outras instituições. Eles estão usando a API do ChatGPT para “conversar” com os documentos. Desse modo, manuscritos de dezenas ou centenas de páginas podem ser simplificados em buscas de poucos toques.
“Então nossa tecnologia analisa o documento e já traz o resultado na tela. Em questão de segundos a pessoa já consegue filtrar o resultado de uma certidão, por exemplo. A ferramenta está trazendo resultados fantásticos para a gente de como interpretar, como tirar mais informações com mais inteligência desses documentos”, conta o administrador Rafael Galante, Co-CEO da CBRdoc.
Esse é o lado incrível da tecnologia à serviço do ser humano: aquelas burocracias típicas da validação de documentos podem ser sanadas com o uso de inteligência artificial.
“Por exemplo, a matrícula de imóvel tem ali quinze, vinte páginas. Ela tem informações de valor de imóvel, quem são os proprietários, comprador e vendedor, área, localização… como que a gente consegue trazer resumo para quem está interpretando o documento? Então hoje as empresas têm essa ferramenta, mesmo com várias certidões a gente consegue ‘planilhar’ isso dando alguns comandos básicos”, explica o economista e também Co-CEO da empresa, Allan Mendonça.
Rafael Galante e Allan Mendonças, da CBRdoc. Inteligência Artificial: entre a revolução e a regulação – profissionais discutem o futuro da IA (Foto: divulgação)
Para o bem e para o mal
A inteligência artificial vem sendo utilizada para além do cotidiano empresarial. O Newsversopublicou no mês passado uma reportagem mostrando que cada vez mais usuários têm buscado o ChatGPT para resolver dilemas emocionais. Usado como um terapeuta mesmo.
ChatGPT psicólogo? pessoas estão usando IA como terapeuta; profissional aponta perigo; (imagem: Newsverso/Uesley Durães/Midjourney)
E assim como uma psicóloga “de carne e osso” alerta que isso pode ser perigoso, no diagrama jurídico e empresarial, a situação é similar: há sérias implicações sobre o futuro da humanidade e das profissões.
Júnior Bornelli é graduado em Direito e fundador da StartSe, uma escola de negócios que conecta empresas à nova economia. Segundo ele, naturalmente muitas profissões podem sumir com o avanço da tecnologia. Independentemente da inteligência artificial.
“Se você não souber usar inteligência artificial daqui para frente, vai ser como se não soubesse usar o pacote office. Como se não soubesse mexer na internet. Quem souber usar isso a seu benefício vai se tornar mais efetivo, mais produtivo, vai fazer mais com menos, descobrir novas oportunidades”, explica.
Júnior Bornelli é graduado em Direito e fundador da StartSe. Inteligência Artificial: entre a revolução e a regulação – profissionais discutem o futuro da IA (foto: divulgação Startse)
Bornelli, assim como outros estudiosos da tecnologia, admite que a IA pode tornar muita gente obsoleta. Para tarefas repetitivas, o robô pode ser imbatível. Sobre a inteligência artificial, o entusiasta da inovação narra: “ele não se cansa, ele não se machuca, ele não tem férias, ele não para. Não tem filho, ele não vai para casa e não tem conta para pagar. Então o robô tem muito mais condições de fazer determinadas atividades que nós”.
Se a IA vai superar o ser humano só o tempo dirá, mas, a principio, é necessário olhar a popularização da tecnologia de forma pacífica. De forma unânime, todos os entrevistados acreditam que tem uma capacidade humana que jamais será superada por qualquer máquina: a criatividade.
As profissões que conhecemos hoje vão desaparecer com o avanço da tecnologia e inteligência artificial? Júnior Bornelli, fundador da StartSe, diz que sim.