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A história do assassinato de Tim Lopes não está “tão distante” da situação atual, diz o jornalista Marcelo Beraba

Responsável pelo pontapé inicial para criação da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, Marcelo Beraba lembrou Tim Lopes durante homenagem nesta sexta (5) e alertou para aumento da violência contra profissionais de imprensa. “Essa história com personagens como narcotraficantes, policiais militares e milicianos não é tão distante da nossa [atual]”.

Publicado por
João Caminoto

“O Beraba é aquele cara que aparece pouco, mas organiza a cozinha do jornalismo”, disse José Roberto de Toledo, editor-executivo na revista Piauí e apresentador do Foro de Teresina. Ele se refere ao jornalista carioca Marcelo Beraba, que há 20 anos enviou um e-mail para 44 editores e repórteres, convocando para o que seria o início da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Nesta sexta-feira (05), Marcelo recebeu uma homenagem no 17º Congresso Brasileiro de Jornalismo Investigativo, em São Paulo.

20 anos sem Tim Lopes

Também há 20 anos, no dia 5 de julho de 2002, a imprensa confirmava que o jornalista Tim Lopes havia sido assassinado no Complexo do Alemão depois de ter sido sequestrado e torturado por narcotraficantes. Arcanjo, seu nome original, tinha 51 anos na época e estava investigando a exploração sexual de menores na favela Vila do Cruzeiro. 

“Minha geração já tinha vivido tortura e assassinato do Herzog (Vladmir Herzog) por militares”, diz Marcelo, lembrando de outras mortes violentas de jornalistas que ocorreram na sequência. “Essa história com personagens como policiais militares, narcotraficantes e milicianos não é tão distante da nossa”, comenta.

 Para Marcelo Beraba, que era muito próximo de Tim Lopes, disse que aquele “foi um ano de muito choro, indignação” mas também marcado por “muita ação”. Ele conta que, até então, a morte de jornalistas gerava reações como cartas e notas de repúdio. Para ele, porém, era necessário “pressionar mais” para essa violência cessar. 

Ironicamente, 20 anos depois do caso Tim, o Brasil vive o aumento da violência contra profissionais de imprensa. Em 2022, as agressões (verbal, vitual, física, perseguições e etc…) subiram 26,9% , em relação ao mesmo período de 2021.

O e-mail

Neste vídeo, Beraba fala sobre o e-mail enviado poucos meses após a morte do jornalista Tim Lopes, convidando mais de 40 repórteres e editores a se unirem em torno de uma associação profissional: Abraji.

 Programa Tim Lopes

Criado para criar uma rede de respostas práticas e sólidas à violência contra profissionais de imprensa, o Programa Tim Lopes assegura a cobertura dos casos de forma colaborativa e dá visibilidade às reportagens que possam ter motivado cada crime. 

Para Beraba, da mesma maneira que os novos tempos trazem “mais exigências” à qualidade do trabalho dos jornalistas, também pedem mais proteção ao direito à liberdade de expressão e ao exercício profissional. 

O “aprimoramento profissional permanente” é função obrigatória da profissão, segundo Beraba. “Não vamos ter bom jornalismo sem bons jornalistas”, pontua.

Se fosse dar um conselho a um estudante ou recém-formado em jornalismo, ele diria para jamais sacrificar a “honestidade intelectual” que é essencial, para ele. O jornalista homenageado pela Abraji explica: “se você não sabe ou não apurou profundamente algo, não diga ou sugira que sabe”. Às novas gerações, ele pede que estude “ a fundo” sobre o que vão escolher falar. 

(Foto de topo: Érika Yukari )

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*conteúdos em outros idiomas foram traduzidos via Google Translate

Este post foi modificado pela última vez em 11 de agosto de 2022 09:39

João Caminoto

Jornalista com mais de 30 anos de experiência, ocupei diversos cargos - desde repórter, passando por correspondente internacional até diretor de redação - em diversas casas, como o Estadão, Broadcast, Época, BBC, Veja e Folha. Me sinto privilegiado em ter abraçado essa profissão. Apaixonado pela minha família e pelo Corinthians.

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