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Até aqui, tudo bem? A queda do Bitcoin e a fragilidade do “otimismo cego” em 2026

Publicado por
Isabella Caminoto

Com o Bitcoin perdendo mais de 50% de seu valor desde o recorde de outubro, a colunista Jemima Kelly, do Financial Times, questiona se a crença inabalável dos entusiastas será suficiente para evitar o impacto final.

A famosa metáfora do filme francês La Haine (1995) resume o atual estado de espírito do mercado de criptomoedas: um homem que cai de um prédio de 50 andares e, a cada andar, repete para si mesmo: “até aqui, tudo bem”. Segundo Kelly, os promotores do Bitcoin têm vivido sob esse mantra, ignorando que o importante não é a queda, mas o pouso.

Na semana passada, o “chão” parece ter aparecido rapidamente. O Bitcoin enfrentou seu pior crash desde 2022, chegando próximo aos US$ 60.000. O movimento apagou todos os ganhos obtidos desde a reeleição de Donald Trump e marcou uma desvalorização de mais de 50% em relação à máxima histórica de US$ 127.000 registrada em outubro passado.

    Números de um colapso repentino

    A magnitude da queda é evidenciada por dados de liquidação e balanços corporativos:

    • Liquidações recordes: Cerca de US$ 1,25 bilhão em posições de Bitcoin foram liquidadas em apenas 24 horas, entre quinta e sexta-feira.
    • Prejuízos bilionários: A empresa MicroStrategy, de Michael Saylor — que detém cerca de 3,4% de todo o Bitcoin em circulação (713.000 BTC) — reportou perdas impressionantes de US$ 12,4 bilhões no quarto trimestre de 2025.

    Esta semana mostrou que a oferta de “tolos maiores” da qual o bitcoin depende está se esgotando. Os contos de fadas que mantiveram as criptomoedas à tona estão se revelando exatamente isso: contos de fadas. As pessoas estão começando a perceber que não há um limite mínimo para o valor de algo baseado em nada mais do que ar.

    O teste real: O “Presidente Bitcoin” não foi suficiente

    O ponto mais crítico levantado por Kelly é o fracasso do cenário político “perfeito”. Donald Trump assumiu a Casa Branca com uma agenda agressivamente pró-cripto:

    1. Criou uma reserva estratégica de Bitcoin.
    2. Concedeu indultos a criminosos do setor cripto.
    3. Permitiu a inclusão de criptoativos em fundos de pensão (401k).
    4. Declarou o fim da “guerra contra as criptos” de seu antecessor.

    Mesmo com o apoio direto do topo da estrutura política dos EUA, o Bitcoin não conseguiu sustentar seu valor. Para a colunista, isso sinaliza que, se o ativo não consegue prosperar neste ambiente ultra-favorável, seu futuro é incerto.

    A escassez de “tolos maiores”

    A tese central da análise é que o Bitcoin depende de um suprimento constante de novos investidores (a teoria do “tolo maior”). No entanto, a crença parece estar se esvaindo. Embora o preço tenha ensaiado uma recuperação para a casa dos US$ 70.000, o argumento é que as “histórias de fadas” que mantêm o ecossistema flutuando estão perdendo força.

    A conclusão de Kelly é um alerta: não existe um piso de valor para algo baseado apenas em “ar rarefeito”. O otimismo projetado pelos evangelistas do setor pode ser, na verdade, uma tática desesperada para manter o esquema funcionando enquanto o solo se aproxima.

    Leia também: IA já move trilhões e redefine a economia global: cinco forças que explicam o novo boom tecnológico

    Este post foi modificado pela última vez em 9 de fevereiro de 2026 15:26

    Isabella Caminoto

    Advogada e mestranda em Direito Internacional, tenho a democracia e a liberdade como bandeiras irrenunciáveis. Sou apaixonada pelos animais e acredito que o bem-estar do nosso planeta deveria ser o destaque diário da pauta da nossa sociedade.

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