[gtranslate]

Após polêmicas no Egito, Rainha Cleópatra chega na Netflix

Chegou no catálogo da Netflix, nesta quarta-feira (10/05), a série documental Rainha Cleópatra. A obra têm gerado polêmicas. A atriz de ascendência negra Adele James interpretará Cleópatra VII, e essa escolha da Netflix instigou um debate de séculos: a verdadeira cor da pele da rainha.

Publicado por
Danielly Oliveira

Antes mesmo de seu lançamento oficial, a série documental ‘Rainha Cleópatra’ se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais e chegou irritar alguns egípcios. Ao divulgar Adele James no papel de Cleópatra VII, a Netflix levantou, mais uma vez, o debate sobre a aparência física da rainha, principalmente em relação à cor da pele.

A produção da Netflix conta com quatro episódios e é a segunda temporada do projeto ‘Rainhas Africanas‘. Com uma vida marcada pelas tradições de uma civilização, a série da Netflix mostra a saga da rainha e destaca uma das maiores virtudes que Cleópatra teve em vida: a inteligência.

A polêmica no Egito

Antes mesmo do lançamento, o Conselho Supremo de Antiguidades do Egito se manifestou em comunicado e destacou que a faraó não era negra, como representado na série.

O secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades confirma que a rainha Cleópatra tinha pele clara e feições helenísticas (gregas)”, escreveu o órgão num comunicado publicado no site do Ministério e repercutido pelo site Deadline.

Mostafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, afirma ainda no comunicado que, por se tratar de uma série documental, precisa “se basear em dados históricos e fatos científicos”. Estátuas e representações em moedas de Cleópatra a representam como características helenísticas e pele clara, nariz desenhado e lábios finos.

Escultura romana de Cleópatra. Crédito: Pixabay.

A série causou a reação negativa no Egito após a escalação de uma atriz negra para interpretar Cleópatra VII. Um advogado, inclusive, entrou com um processo acusando a Netflix de violar as leis de mídia e tentar apagar a identidade egípcia.

A produção de Rainha Cleópatra afirmou que “a ascendência de Cleópatra é altamente debatida”. Além disso, Adele James, que a interpreta a protagonista, mandou um recado aos críticos: “Se você não gosta do elenco, não assista à série”.

Mas afinal, a Rainha Cleópatra era negra?

Ninguém sabe. Essa é a resposta mais correta para a pergunta. Historiadores dizem que é possível que ela, ou qualquer outra ancestral feminina, fosse uma indígena, branca ou negra egípcia ou de outra parte da África.

A identidade da mãe de Cleópatra é desconhecida. Ela nasceu na cidade egípcia de Alexandria em 69 a.C. e se tornou a última rainha de uma dinastia de língua grega fundada por Ptolomeu, general macedônio de Alexandre, o Grande. Ela sucedeu seu pai Ptolomeu 12 em 51 a.C. e governou até sua morte em 30 a.C.

O site parceiro da Netflix, Tudum, afirmou que a decisão de escalar a atriz britânica Adele James como Cleópatra para sua nova série documental era uma referência ao debate de séculos sobre a raça da governante.

Leia também:

Este post foi modificado pela última vez em 10 de maio de 2023 14:17

Danielly Oliveira

Posts recentes

IA supera professores de Direito em estudo de Stanford e acende debate sobre o futuro da educação jurídica; confira

A inteligência artificial (IA) acaba de alcançar mais um marco simbólico na educação superior. Um…

9 de junho de 2026

IA tem custo ambiental maior do que se imaginava, alerta relatório da ONU

A inteligência artificial (IA) está transformando setores inteiros da economia, impulsionando avanços em saúde, educação,…

9 de junho de 2026

Copa do Mundo 2026 aposta em IA para proteger jogadores de ataques online

A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México,…

6 de junho de 2026

Trump assina ordem executiva para revisar IA antes do lançamento e reacende debate sobre regulação nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira (2) uma nova ordem executiva…

3 de junho de 2026

IA na saúde mental herda preconceitos humanos — e pesquisadores alertam para riscos invisíveis

A rápida expansão da inteligência artificial (IA) na saúde mental vem sendo tratada como uma…

28 de maio de 2026

Estudo de Stanford expõe viés racial em ferramentas de IA usadas para contratação

A promessa de neutralidade da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho acaba de sofrer…

27 de maio de 2026