Gilberto Gil estreia "Amor Azul" em grande estilo nesta sexta-feira (2) em Paris. Composta com Aldo Brizzi, a obra, segundo Gil, celebra a persistência do sentimento amoroso e a esperança política para o Brasil. As apresentações no auditório da Rádio France vão até domingo.
“São muitas emoções, nunca havia tocado com um conjunto assim”, declarou à AFP o cantor e compositor no Auditório da Rádio France em Paris. Aos 80 anos, Gil maneja seu violão com tranquilidade diante de 150 músicos do Coro e Orquestra da Rádio France.
“Amor Azul” é uma criação operística com influências musicais brasileiras, composta em dois atos em colaboração com o maestro italiano Aldo Brizzi, um grande amigo de Gil.
“A hospitalidade da Rádio France e a possibilidade de começar aqui, em Paris, para depois interpretá-la na Europa e em outros lugares dá muita solidez ao projeto”, explica o autor de sucessos como “Toda Menina Baiana”.
O libreto é inspirado em poemas hindus e divindades como Krishna. Algo que não surpreende em Gilberto Gil, estudioso da espiritualidade indiana, que o ajudou como refúgio espiritual durante sua detenção no fim dos anos 1960 no período da ditadura militar.
A partir destas fontes, Gilberto Gil medita musicalmente sobre alguns de seus temas favoritos, com destaque para o amor.
“O amor é tudo, o amor é mais importante que a morte”, declara o artista com um sorriso.
Gil, que foi ministro da Cultura durante o primeiro mandato do presidente eleito Lula, diz que à época a pasta estava voltada para a modernidade. “Vivemos um período difícil com a chegada da extrema-direita”, afirma.
“Para (Jair) Bolsonaro, tudo era sobre negócios, capitalismo, lucro. Não tinha a compreensão mais profunda do significado da palavra progresso, da redistribuição da riqueza”. “O retorno de Lula, com sua experiência, seu caráter, sua justiça, é o retorno da esperança”, concluiu Gilberto Gil.
(Com AFP)
Este post foi modificado pela última vez em 2 de dezembro de 2022 10:08
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