Você já deve ter ouvido falar em neurodivergente, neuroatípico ou atípico. Essas nomenclaturas costumam estar associadas a pessoas dentro do espectro autista. Mas também abrangem outros transtornos e condições de neurocognição, isto é: pessoas que têm um funcionamento cerebral diferente da maioria. A partir dessa ideia, surgiu o conceito de neurodiversidade, que fala sobre as diferenças que existem no cérebro humano. No exterior, o assunto é recorrente e virou tema de séries de sucesso, mas aqui no Brasil o tema ainda está engatinhando. Vem que o Curto News te explica.
Antes de começar a explicar o conceito da neurodivergência, é importante entender algumas nomenclaturas.
Quando uma pessoa tem o desenvolvimento e funcionamento neurológico dentro dos padrões regulares – como é a maioria da população – é considerado um neurotípico.
Portanto, o contrário – quando este funcionamento neurológico é diferente ou divergente – podemos chamá-lo de neuroatípico, neurodivergente ou apenas atípico.
Essa definição fica bem simples de entender nos primeiros episódios da série Atypical, da Netflix. Ela conta a história de Sam, um adolescente com Transtorno do Espectro Autista que inicia a fase adulta e tem que enfrentar situações comuns a todo jovem, mas complexas para ele, como namorar e ingressar na universidade.
A série Atypical também discute – ainda que na superfície – o conceito de neurodiversidade.
De acordo com o Simpósio Nacional de Neurodiversidade (2011) realizado na Universidade de Syracuse, nos Estados Unidos, a neurodiversidade é:
“…um conceito onde as diferenças neurológicas devem ser reconhecidas e respeitadas como qualquer outra variação humana. Essas diferenças podem incluir aquelas rotuladas como Dispraxia, Dislexia, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Discalculia, Espectro Autista, Síndrome de Tourette e outros.”
Em outras palavras, neurodiversidade consiste em reconhecer e respeitar as diferenças de funcionamento do cérebro.
Seguindo esse critério, uma condição como o autismo é entendida como parte de quem a pessoa é. Assim, os ativistas da neurodiversidade rejeitam a ideia de que autismo é uma deficiência ou incapacidade. Em vez disso, celebram as diferente formas de comunicação e auto-expressão da pessoa com autismo, promovendo sistemas de apoio que permitem que ela viva como alguém que não tem essa condição.
A pandemia de covid-19 e a maior conectividade ajudaram a dar voz a neurodivergentes, uma questão importante quando se trata de representatividade. Por meio de plataformas online é possível formar um movimento de autodefesa e de aceitação.
A cantora e vencedora de Grammys, Billie Eilish, por exemplo, tornou mais visível a Síndrome de Tourett ao falar do transtorno que, muitas vezes, é motivo de piadas e incompreensão.
O movimento da neurodiversidade surgiu durante a década de 1990, quando Judy Singer, uma socióloga australiana, cunhou o termo para promover a igualdade e a inclusão de “minorias neurológicas”.
Em seu livro “Neurodiversidade: o nascimento de uma ideia”, ainda sem versão em português, Judy diz:
“Nós somos todos habitantes neurodiversos do planeta, porque não há duas mentes neste mundo que possam ser exatamente iguais”.
“Embora seja principalmente um movimento de justiça social, a pesquisa e a educação em neurodiversidade são cada vez mais importantes na forma como os médicos veem e abordam certas condições neurológicas”, avalia Nicole Baumer, neurologista infantil do Boston Children’s Hospital e instrutora de neurologia na Harvard Medical School, em um artigo escrito para a Harvard Helph Publishing.
Este post foi modificado pela última vez em 5 de janeiro de 2023 18:05
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