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Número de pessoas armadas no Brasil salta de 117 para 673 mil no governo Bolsonaro

A quantidade de pessoas comuns armadas no Brasil já supera a de integrantes da Polícia Militar, que são de 406 mil. Temendo a escalada da violência em ano eleitoral, o Supremo Tribunal Federal suspendeu, momentaneamente, algumas facilidades para acesso à armas.

Publicado por
Gabriela Gonçalves

O número de registros de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) subiu de 117 mil para mais de 673 mil de 2018 até o momento. O número supera a quantidade de armamentos em posse da Polícia Militar, que tem hoje 406.384 mil.

Os decretos presidenciais – que não passaram por aprovação do Legislativo – facilitam o acesso as armas e contribuíram a onde crescente de pessoas armadas.

Após ameaças golpistas e discursos contra as urnas eletrônicas, o Supremo Tribunal Federal teme pela instabilidade do ano eleitoral e por isso suspendeu temporariamente alguns decretos, assinados por Jair Bolsonaro (PL),que flexibilizam o controle de armas no país.

Dois casos recentes de assassinato por desavença política – um deles com arma de fogo – deixaram os magistrados em alerta.

“Hoje um civil pode comprar armas mais potentes que as próprias armas da polícia”, afirma Bruno Langeani, autor do livro “Arma de fogo no Brasil: gatilho da violência” e gerente de projetos do Instituto Sou da Paz.

“E para os CACs, os privilégios são ainda maiores: em alguns casos, foi liberada a compra de até 60 armas por pessoa e 30 podem ser fuzis de assalto”, explica. 

Arma pra todo lado

A ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública calcula que existam cerca de 4,4 milhões de armas em mãos de particulares no Brasil.

Esse número inclui as de CACs, armas em domicílio para defesa pessoal e outras categorias como funcionários públicos, empresários ou armas de uso privado dos membros da Polícia, do Exército e outros agentes de segurança. 

Governo facilita o acesso

“Quando o governo deu acessibilidade às armas, entendi que tínhamos que caminhar juntos”, disse à AFP o empresário Marcelo Costa, presidente do clube Mil Armas, inaugurado há quatro anos. 

O lugar, ao qual se tem acesso por uma antessala que é proibida usar armas, tem diversas normas de segurança. Costa trabalhou na Polícia Federal por 16 anos e é dono do estabelecimento com seus dois filhos. A esposa de Costa é psicóloga e tem autorização a avaliar os novatos no tiro.

Além das instalações do clube, os associados podem contar com instrutores e assessoria jurídica para obter licença. E podem usar as armas do clube ou comprar as suas próprias. 

“É como um shopping, temos tudo”, resume Costa, orgulhoso de vender armas “em até 12 vezes” para quem não pode pagar à vista: “podem custar de 5.000 a 20.000 reais”. 

Homicídios

Na contramão do número geral de homicídios, que em 2021 registrou queda de 13%, os homicídios com pistolas e revólveres aumentaram 24% no ano passado, de acordo com dados do ministério da Saúde.

Enquanto analistas vinculam o aumento a uma circulação maior de armas, o governo afirma que faltam dados para estabelecer a relação.

Veja também:

Este post foi modificado pela última vez em 13 de setembro de 2022 10:46

Gabriela Gonçalves

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