A Amazon confirmou que vai cortar aproximadamente 14 mil cargos corporativos em todo o mundo. A decisão, segundo a empresa, faz parte de uma ampla estratégia para reorganizar a estrutura interna e acelerar sua adaptação à era da inteligência artificial (IA).
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Beth Galetti, vice-presidente sênior da Amazon, afirmou em nota aos funcionários que o movimento tornará a companhia “ainda mais forte”, permitindo redirecionar recursos para os “principais investimentos e necessidades atuais e futuras dos clientes”. Ela reconheceu que a decisão pode gerar questionamentos, já que os resultados recentes da empresa superaram as expectativas do mercado.
Lucros em alta, mas cortes estratégicos
Em julho, a Amazon divulgou resultados do segundo trimestre com aumento de 13% nas vendas, alcançando US$ 167,7 bilhões. Apesar do bom desempenho, a empresa acredita que a reorganização é necessária para enfrentar um novo ciclo de transformação tecnológica.
Galetti destacou que a inteligência artificial é “a tecnologia mais transformadora desde a internet” e que está permitindo às companhias inovar mais rápido do que nunca. Por isso, segundo ela, a Amazon precisa ser “organizada de forma mais enxuta, com menos camadas e mais autonomia”, para agir com agilidade diante das mudanças do mercado.
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Os funcionários afetados poderão receber apoio para recolocação interna ou pacotes de transição, incluindo indenizações. A empresa, no entanto, não confirmou quantos desses cortes ocorrerão em cada país.
A era dos cortes impulsionados pela inteligência artificial
O CEO Andy Jassy já havia antecipado em junho que o avanço das ferramentas de IA levaria a uma redução de postos de trabalho, à medida que sistemas automatizados assumissem tarefas rotineiras.
“Teremos menos pessoas fazendo alguns trabalhos que existem hoje e mais pessoas em novas funções”, afirmou Jassy na época.
Desde a pandemia, a Amazon — assim como outras gigantes de tecnologia — aumentou fortemente o número de contratações para atender à explosão do comércio eletrônico e dos serviços digitais. Agora, o foco está em reduzir custos e realocar investimentos em inteligência artificial, especialmente em áreas como o Amazon Web Services (AWS), o braço de computação em nuvem da companhia.
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Investidores atentos e concorrência acirrada
Apesar dos lucros crescentes, a Amazon enfrenta crescimento mais lento do AWS em comparação a rivais como Microsoft e Google. Analistas apontam que a empresa está sob pressão para melhorar margens de lucro e acelerar sua presença na corrida da IA.
Ben Barringer, analista de tecnologia da Quilter Cheviot, disse para a BBC que o setor está observando de perto os movimentos da Amazon. “Já vemos cortes em desenvolvimento de software graças às capacidades das novas ferramentas de IA. As grandes empresas estão se reestruturando para se adaptar a essa realidade”, disse.
Para Melissa Otto, da Visible Alpha Research, a decisão também tem relação com o aumento da rentabilidade. “Otimizar a força de trabalho é um dos caminhos possíveis, especialmente num cenário de crescimento mais lento”, avaliou.
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Um sinal para o mercado de tecnologia
Os cortes da Amazon indicam o início de uma nova fase no mercado de trabalho das big techs, em que a automação e a IA se tornam centrais nas estratégias corporativas.
Especialistas acreditam que outras companhias seguirão o mesmo caminho, impulsionadas tanto pela busca por eficiência quanto pela necessidade de competir no setor mais disputado do momento: o da inteligência artificial.
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