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Inteligência Artificial

Análise | McKinsey faz um “reality check” da IA em 2025: uso cresce, mas impacto real ainda é raro

Publicado por
Isabella Caminoto

A consultoria McKinsey divulgou sua nova edição do relatório State of AI 2025, uma pesquisa global que ouviu quase 2 mil organizações sobre o uso de inteligência artificial (IA). O estudo revela um cenário paradoxal: quase todas as empresas já utilizam IA de alguma forma, mas poucas conseguem ampliar os resultados em escala ou gerar impacto real nos negócios.

Adoção ampla, mas superficial

De acordo com o levantamento, 88% das empresas afirmam usar IA em algum ponto de suas operações — um aumento expressivo em relação a anos anteriores. No entanto, a maior parte ainda está em fases experimentais ou de projeto-piloto, sem transformar essas iniciativas em ganhos estratégicos. Apenas 33% conseguiram escalar o uso da tecnologia de forma consistente em toda a organização.

A McKinsey observa que esse comportamento reflete uma transição: as empresas já reconhecem o valor da IA, mas ainda enfrentam barreiras para integrá-la plenamente aos seus fluxos de trabalho, seja por falta de dados organizados, competências técnicas ou infraestrutura adequada.

Impacto financeiro limitado

Entre as organizações pesquisadas, 39% relataram algum impacto positivo da IA sobre o lucro operacional (EBIT). Porém, apenas 6% conseguiram um ganho de 5% ou mais, e essas conquistas vieram principalmente de empresas que repensaram seus processos de trabalho e usaram IA como motor de inovação, e não apenas como ferramenta de eficiência.

Esses resultados indicam que o verdadeiro valor da IA não está apenas em automatizar tarefas, mas em reconfigurar a maneira como a empresa opera, combinando inteligência de máquina e criatividade humana para descobrir novas oportunidades de negócio.

O papel crescente dos agentes de IA

Outro destaque do relatório é o avanço dos agentes de IA — sistemas autônomos que executam tarefas complexas de forma contínua, aprendendo com o tempo. Segundo a McKinsey, 62% das empresas já estão explorando agentes, embora a adoção ainda seja incipiente: 39% estão apenas testando e 23% conseguiram escalar seu uso, sobretudo nas áreas de TI, suporte interno e gestão do conhecimento.

Os agentes prometem um salto de produtividade ao reduzir o tempo gasto em tarefas administrativas e técnicas, mas exigem uma estrutura sólida de governança e segurança para evitar riscos de dependência ou uso indevido.

Efeitos sobre o trabalho

O relatório também aponta que a chegada da IA generativa e dos agentes inteligentes começa a reconfigurar o mercado de trabalho. Cerca de 32% das empresas esperam reduzir suas equipes em pelo menos 3% no próximo ano, enquanto 13% preveem aumento do quadro — reflexo de novos papéis surgindo em torno da supervisão, treinamento e integração de sistemas de IA. As grandes corporações são as mais propensas a prever cortes, principalmente em funções repetitivas.

A diferença entre usar e transformar

O principal aprendizado vem das empresas que realmente colhem resultados significativos com IA. Elas têm em comum uma visão estratégica: tratam a IA como um catalisador de crescimento e inovação, não apenas como ferramenta de eficiência.

Essas organizações integram a IA em toda a cadeia de valor, reestruturam fluxos de trabalho, capacitam funcionários e alinham métricas de sucesso à transformação digital. Segundo a McKinsey, o impacto positivo nesses casos é “profundamente multiplicador” — acelerando inovação, melhorando a experiência do cliente e criando novas fontes de receita.

O recado da McKinsey

O relatório deixa claro que a era da IA corporativa já chegou, mas a era do impacto real ainda está começando. Para alcançar resultados sustentáveis, as empresas precisarão ir além dos testes e pilotos — repensando seus modelos de negócio, cultura e processos em torno da inteligência artificial.

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Este post foi modificado pela última vez em 10 de novembro de 2025 12:46

Isabella Caminoto

Advogada e mestranda em Direito Internacional, tenho a democracia e a liberdade como bandeiras irrenunciáveis. Sou apaixonada pelos animais e acredito que o bem-estar do nosso planeta deveria ser o destaque diário da pauta da nossa sociedade.

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