Anthropic lança ferramenta que usa Claude para entrevistar profissionais sobre uso de IA no trabalho
A Anthropic apresentou o Anthropic Interviewer, uma ferramenta potenciada por Claude que automatiza entrevistas qualitativas — desde o planejamento das perguntas, passando pela condução das conversas com usuários, até a análise e clusterização dos temas para pesquisadores humanos. O anúncio foi feito em 4 de dezembro de 2025, com divulgação dos primeiros dados de um estudo envolvendo 1.250 profissionais de diferentes áreas.
O Interviewer opera em três fases:
Segundo a Anthropic, realizar essas entrevistas manualmente em larga escala seria extremamente custoso e demorado — com a automação, porém, é possível atingir números antes implausíveis para estudos qualitativos.
O estudo-piloto envolveu 1.250 profissionais: 1.000 da “força de trabalho geral”, 125 de áreas científicas e 125 de áreas criativas. Entre os grupos da força de trabalho geral há participação de professores, profissionais de TI, design, mídia, entre outros.
Os resultados revelam percepções interessantes e multifacetadas sobre o uso de IA no cotidiano profissional:
As respostas também variaram conforme a profissão:
Normalmente, empresas e pesquisadores obtêm informações sobre uso de IA por meio de métricas quantitativas — cliques, frequência de uso, formulários de feedback ou logs de comportamento. O problema é que esses dados raramente capturam como as pessoas se sentem, como percebem a tecnologia, suas apreensões, medos ou expectativas.
O diferencial do Anthropic Interviewer é justamente levar uma abordagem qualitativa, mas em escala. Isso permite revelar o lado humano da adoção de IA — os dilemas, inseguranças e tensões profissionais que não aparecem nos gráficos de uso. Para pesquisadores, formuladores de políticas, designers de produto ou estudiosos de IA, esse tipo de conhecimento é essencial para guiar o desenvolvimento tecnológico e definir práticas mais humanas, responsáveis e alinhadas com as necessidades reais.
Além disso, a Anthropic já liberou publicamente todas as 1.250 transcrições (com consentimento dos participantes), abrindo espaço para que a comunidade acadêmica, jornalistas e demais interessados realizem suas próprias análises.
Apesar das promessas, o estudo tem limites reconhecidos: as conclusões dependem das perguntas feitas, do perfil dos entrevistados e da capacidade de análise humana. Ou seja: os resultados não capturam toda a diversidade possível de trabalhadores e contextos de uso de IA.
Contudo, a ferramenta representa um avanço metodológico relevante no campo da pesquisa sobre IA: ela demonstra que é viável — e produtivo — tratar a adoção de IA como um fenômeno social e humano, e não apenas técnico ou estatístico. A Anthropic anuncia que novas rodadas de entrevistas serão realizadas, ampliando a cobertura de perfis e possibilitando o acompanhamento da evolução da relação entre humanos e IA com o tempo.
O lançamento do Anthropic Interviewer marca um novo passo na investigação das implicações sociais e profissionais da IA. A adoção de IA no trabalho já é realidade para muitos — e não basta saber quantas pessoas usam: é fundamental entender como usam, por que usam e o que sentem sobre isso.
Para quem atua com IA — seja desenvolvimento, pesquisa, ética ou produto —, esse estudo é um convite à reflexão: mais do que medir produtividade ou performance, precisamos considerar as percepções humanas, as ansiedades, esperanças e transformações de identidade profissional. E ferramentas como o Interviewer mostram que é possível fazer isso — de forma ampla, escalável e com respeito ao ponto de vista do usuário.
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Este post foi modificado pela última vez em 5 de dezembro de 2025 14:48
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