Netflix aposta tudo em IA: do marketing à criação de conteúdo
Créditos da imagem: Curto News/ChatGPT

Netflix aposta tudo em IA: do marketing à criação de conteúdo

A Netflix anunciou que está “all in” em inteligência artificial (IA), ou seja, totalmente comprometida em integrar a tecnologia em praticamente todas as áreas do seu negócio — da publicidade à produção de séries e filmes. A declaração veio durante a mais recente conferência de resultados da empresa, e marca uma guinada ousada, num momento em que parte da indústria do entretenimento ainda trata a IA com desconfiança.

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A estratégia: IA em todos os estágios da operação

Executivos da plataforma detalharam planos ambiciosos para usar IA em recomendações, publicidade e fluxos de produção audiovisual. A ideia é tornar os processos mais eficientes, personalizados e criativos, posicionando a Netflix como uma das empresas “mais bem preparadas” para o atual boom da inteligência artificial.

Segundo a companhia, várias produções recentes já experimentaram o uso de IA em etapas como rejuvenescimento digital de atores, testes de figurino e ambientação de cenas, e desenvolvimento conceitual de roteiros e cenários. Essas ferramentas, explicam, não substituem os profissionais de criação, mas ampliam suas possibilidades expressivas.

“IA não substitui talento”, diz Ted Sarandos

O CEO da Netflix, Ted Sarandos, procurou deixar claro que não vê a tecnologia como uma ameaça à criatividade humana. Para ele, a IA pode ajudar os criadores a “contar histórias melhores, de forma mais rápida e em novas linguagens”, mas não tem o poder de gerar talento onde ele não existe.

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“A inteligência artificial pode dar aos criativos melhores ferramentas para aprimorar as experiências dos nossos assinantes — mas isso não faz de ninguém um grande contador de histórias automaticamente”, afirmou Sarandos.

Com a fala, o executivo tenta se distanciar das polêmicas que vêm afetando o setor de entretenimento, em especial as disputas entre estúdios, sindicatos de Hollywood e empresas de tecnologia sobre o uso ético da IA.

Contexto: o equilíbrio delicado entre inovação e resistência

A relação entre IA e o entretenimento segue tensa e controversa. Em 2024 e 2025, o setor testemunhou greves históricas de roteiristas e atores nos EUA, além de debates acalorados sobre direitos autorais, deepfakes e uso de imagem digital. O surgimento de ferramentas como o Sora, da OpenAI — capaz de criar vídeos realistas a partir de texto —, só intensificou o debate.

Enquanto atores e sindicatos temem a substituição de mão de obra e a violação de direitos de imagem, empresas como a Netflix veem na IA uma oportunidade de otimizar custos e ampliar a escala da produção global.

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Mas o caminho é estreito: o desafio está em usar a tecnologia sem destruir a confiança de artistas e do público. À medida que a IA se consolida como parte essencial do processo criativo, a indústria precisará redefinir novos limites éticos, contratuais e estéticos — e a Netflix parece disposta a liderar essa transição, mesmo em meio à tempestade.

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