[gtranslate]

Inteligência Artificial

OpenEvidence levanta US$ 200 milhões e consolida o “ChatGPT da medicina”

Publicado por
Isabella Caminoto

Enquanto os holofotes da corrida da inteligência artificial (IA) se concentram em gigantes como OpenAI e Anthropic, uma nova geração de startups especializadas começa a ganhar atenção — e capital — com propostas voltadas a nichos profissionais específicos. Entre elas está a OpenEvidence, empresa descrita como o “ChatGPT dos médicos”, que acaba de captar US$ 200 milhões, elevando sua avaliação de mercado para US$ 6 bilhões.

Um ChatGPT treinado em medicina

Fundada em 2022 por Daniel Nadler e Zachary Ziegler, a OpenEvidence nasceu com a missão de ajudar profissionais de saúde a chegar mais rapidamente a diagnósticos e decisões clínicas baseadas em evidências. O sistema combina a linguagem natural das IAs conversacionais com o rigor científico da literatura médica revisada por pares.

O chatbot é treinado em publicações de alto prestígio, como o Journal of the American Medical Association (JAMA) e o New England Journal of Medicine, oferecendo respostas fundamentadas nas melhores fontes disponíveis. Segundo Nadler, o modelo é programado para recusar perguntas quando não tem confiança suficiente na resposta, reduzindo o risco de “alucinações” — ou seja, respostas erradas ou inventadas, um dos maiores problemas em IAs genéricas.

Crescimento acelerado e alcance global

Em apenas três anos, a OpenEvidence se tornou uma ferramenta amplamente usada por médicos, enfermeiros e profissionais de saúde em diferentes países. Atualmente, a plataforma apoia cerca de 15 milhões de consultas clínicas por mês, um salto considerável em relação aos 8,5 milhões registrados em julho de 2025.

Com sede em Miami, a empresa adotou um modelo de expansão agressivo: o uso é gratuito para profissionais médicos verificados, sendo financiado por receita publicitária. De acordo com Nadler, essa estratégia — em vez de cobrar hospitais ou sistemas de saúde — foi crucial para alcançar mais de 10 mil centros médicos.

Sangeen Zeb, sócio do Google Ventures e investidor líder da nova rodada, afirmou que o sucesso da OpenEvidence é tamanho que “o nome da empresa está virando verbo”, sugerindo que o uso da ferramenta começa a se tornar rotina entre médicos.

Aposta bilionária em IA médica

A nova rodada de captação contou com a participação de Sequoia Capital, Kleiner Perkins, Blackstone, Thrive Capital, Coatue Management, BOND e Craft Ventures — um grupo que reflete o entusiasmo crescente do mercado com soluções de IA aplicadas à saúde.

A OpenEvidence já havia levantado US$ 210 milhões em julho, com uma avaliação de US$ 3,5 bilhões. Com o novo aporte, a empresa ultrapassa a marca de US$ 500 milhões captados em apenas alguns meses — uma demonstração da velocidade e confiança com que investidores vêm apostando em seu modelo.

Segundo Nadler, os novos recursos serão destinados à expansão da infraestrutura de computação e treinamento dos modelos, além de um reforço nos investimentos em marketing e captação de usuários. A empresa vem crescendo cerca de 60 mil a 70 mil novos usuários por mês e já está a meio caminho de atingir US$ 100 milhões em receita publicitária, meta projetada para o próximo ano.

Uma mina de dados clínicos

Desde o início de sua operação, a OpenEvidence já processou mais de 100 milhões de consultas clínicas, um acervo valiosíssimo de dados que alimenta o aperfeiçoamento contínuo de seus modelos de IA. “Ninguém no mundo tem esse tipo de base de dados”, afirmou Nadler.

Esse volume de informações confere à startup uma vantagem competitiva difícil de replicar: quanto mais a ferramenta é usada, mais precisa se torna — criando um ciclo virtuoso de aprendizado e eficiência.

O contexto do mercado

Embora alguns analistas alertem para uma possível supervalorização do setor de IA, o caso da OpenEvidence sugere que há espaço sólido para modelos especializados, voltados a setores de alto impacto e complexidade. Ao contrário das IAs genéricas, que tentam atender a todos os públicos, a OpenEvidence foca em um domínio onde precisão e confiabilidade são cruciais.

Seu crescimento ilustra uma tendência mais ampla: a de que o futuro da inteligência artificial pode estar nas soluções verticais — sistemas treinados para resolver problemas reais dentro de áreas específicas, como medicina, direito ou engenharia.

Para investidores e profissionais de saúde, a OpenEvidence representa mais que uma promessa tecnológica: é um vislumbre de como a IA pode transformar a prática médica, tornando o acesso ao conhecimento científico mais rápido, preciso e seguro — e, quem sabe, redefinindo o papel da inteligência artificial na medicina do século XXI.

Leia também:

Este post foi modificado pela última vez em 20 de outubro de 2025 11:51

Isabella Caminoto

Advogada e mestranda em Direito Internacional, tenho a democracia e a liberdade como bandeiras irrenunciáveis. Sou apaixonada pelos animais e acredito que o bem-estar do nosso planeta deveria ser o destaque diário da pauta da nossa sociedade.

Posts recentes

OpenAI ajuda a desvendar doenças raras infantis e dá nova esperança a casos sem diagnóstico

Um dos maiores desafios da medicina moderna está nos chamados "casos sem resposta": pacientes que…

23 de junho de 2026

Argentina quer criar empresas comandadas por IA — e acende debate global sobre responsabilidade e poder

A Argentina deu um passo inédito na corrida global pela inteligência artificial (IA). O governo…

22 de junho de 2026

Data centers no espaço? Musk revela plano para levar a IA à órbita terrestre

A corrida global pela inteligência artificial (IA) acaba de ganhar uma nova fronteira: o espaço.…

14 de junho de 2026

Metade dos norte-americanos teme perder o emprego para a IA — e a ansiedade só aumenta

A inteligência artificial (IA) já deixou de ser uma promessa tecnológica distante para se tornar…

13 de junho de 2026

IA supera professores de Direito em estudo de Stanford e acende debate sobre o futuro da educação jurídica; confira

A inteligência artificial (IA) acaba de alcançar mais um marco simbólico na educação superior. Um…

9 de junho de 2026

IA tem custo ambiental maior do que se imaginava, alerta relatório da ONU

A inteligência artificial (IA) está transformando setores inteiros da economia, impulsionando avanços em saúde, educação,…

9 de junho de 2026