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Inteligência Artificial

Quase metade das respostas de assistentes de IA sobre notícias contém erros, aponta estudo europeu

Publicado por
Isabella Caminoto

Uma pesquisa recente realizada pela European Broadcasting Union (EBU) em parceria com a British Broadcasting Corporation (BBC) revela que os assistentes de inteligência artificial (IA) estão cometendo erros generalizados ao responder perguntas sobre notícias — um dado que acende alertas para quem depende dessas tecnologias como fonte de informação.

O estudo avaliou cerca de 3.000 respostas de assistentes de IA em 14 línguas diferentes, investigando sua precisão, atribuição de fontes e capacidade de diferenciar fato de opinião. O resultado? Aproximadamente 45% das respostas continham ao menos um erro significativo, enquanto 81% apresentavam alguma forma de problema — seja ele menor ou maior.

Quais os tipos de falhas detectadas

Dentre os erros apontados:

  • Cerca de um terço das respostas tinham “erros de fonte” graves — isto é: atribuição faltante, incorreta ou enganosa de onde a informação vinha.
  • No caso da assistente Gemini, da Google LLC, o índice de problemas de fonte foi particularmente alto: 72% das respostas apresentaram esse tipo de falha, contra menos de 25% para outros modelos.
  • Quanto à acurácia, ou seja, se a informação era factual ou estava desatualizada ou incorreta, cerca de 20% das respostas ― em média entre todos os assistentes testados ― apresentavam esse tipo de falha.
  • Exemplos concretos incluem o caso em que o Gemini teria informado incorretamente sobre mudanças em uma lei sobre vaporizadores descartáveis, ou quando o ChatGPT teria considerado o Papa Francisco como o papa atual mesmo meses após seu falecimento.
Por que isso importa

Com o uso crescente desses assistentes de IA para buscar notícias — segundo o estudo, 7% dos consumidores online e 15% dos usuários com menos de 25 anos recorrem a eles para obter informações sobre o mundo — essas falhas representam uma ameaça à confiança pública. O diretor de mídia da EBU, Jean Philip De Tender, destaca que “quando as pessoas não sabem no que confiar, acabam não confiando em nada, e isso pode minar a participação democrática”.

Em um cenário onde as IAs começam a substituir — ou ao menos complementar — mecanismos tradicionais de busca e leitura de notícias, saber que quase metade das respostas contém algum erro grave eleva a importância de checar fontes e manter senso crítico. Além disso, a responsabilidade das empresas que desenvolvem essas ferramentas é colocada em foco: o relatório defende que essas empresas sejam responsabilizadas e aprimorem a forma como seus assistentes lidam com perguntas relativas a notícias.

O que isso significa para o usuário

Para o público brasileiro e global, a mensagem é clara: usar assistentes de IA para se atualizar sobre o mundo exige cautela. Mesmo modelos avançados continuam com limitações — não são infalíveis. Verificar a fonte, comparar com meios de comunicação reconhecidos e sempre questionar se a resposta faz sentido são atitudes que ainda se mostram indispensáveis.

Em resumo: a tecnologia avança rápido — mas impecável ela ainda não é. E, enquanto isso, cabe ao usuário equilibrar a conveniência da IA com um olhar crítico e informado.

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Este post foi modificado pela última vez em 23 de outubro de 2025 12:00

Isabella Caminoto

Advogada e mestranda em Direito Internacional, tenho a democracia e a liberdade como bandeiras irrenunciáveis. Sou apaixonada pelos animais e acredito que o bem-estar do nosso planeta deveria ser o destaque diário da pauta da nossa sociedade.

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