[gtranslate]

Calotas polares perdem mais gelo do que se pensava; sertão brasileiro pode ser nova fronteira para a produção de biocombustíveis e +

Veja os destaques do Curto Verde desta quinta-feira (10): estudo aponta que o degelo na calota polar da Groenlândia é muito maior do que se pensava; Shell Brasil investe R$ 30 milhões para produção de etanol a partir de uma planta típica de regiões semiáridas; agência europeia alerta que 90 mil europeus podem morrer a cada ano devido às ondas de calor até o final do século; e relatório da ONU conclui que o mundo não está no caminho certo para atingir as metas florestais para acabar e reverter o desmatamento até 2030.

Publicado por
Isabella Caminoto

❄️ Novas provas de degelo na Groenlândia levam a temor de aumento importante do nível do mar

A perda de massa de gelo na calota polar da Groenlândia está ocorrendo mais no interior do que se pensava e isto provavelmente vai agravar o aumento do nível do mar, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (9) na revista Nature (🇬🇧).

Até agora, os cientistas tinham se concentrado, sobretudo, no derretimento das faixas costeiras da calota de gelo, mas desta vez pesquisaram o que ocorre no interior da ilha com dados de satélite, estações de GPS no terreno e modelos digitais.

A descoberta que fizeram é alarmante: o gigantesco bloco de gelo, também chamado “inlandsis”, que recobre o território da Groenlândia, está perdendo espessura a uma distância de 200 a 300 km da costa.

Os cientistas estimam que o nível do mar poderia aumentar entre 13,5 e 15,5 milímetros até o fim do século.

A calota polar da Groenlândia é atualmente o principal fator de aumento do nível dos oceanos, segundo a Nasa, pois a região do Ártico está esquentando mais rapidamente do que o resto do mundo.

“O NEGIS poderia perder seis vezes mais gelo do que o estimado pelos modelos climáticos existentes”, advertiu o informe.

Uma das razões para a calota perder espessura em seu interior é a entrada de correntes oceânicas quentes.

“O novo modelo dá conta verdadeiramente do que está ocorrendo no interior das terras, os [modelos] anteriores não o fazem […] Estamos diante de uma mudança maciça, de uma projeção do nível do mar completamente diferente”, explicou o autor principal do estudo, Shafaqat Abbas Khan, à AFP.

Segundo ele, é praticamente impossível reverter a perda de massa de gelo da calota polar da Groenlândia, mas é possível contê-la com políticas adequadas contra as mudanças climáticas.

🌱 Shell Brasil investe R$ 30 milhões para produção de etanol a partir do agave

A Shell Brasil fechou uma parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para um projeto de pesquisa e desenvolvimento que quer utilizar o agave – uma planta típica de regiões semiáridas, matéria prima da tequila – para a produção de etanol. 

A empresa irá investir R$ 30 milhões e, se bem sucedida, a empreitada tem potencial para transformar o sertão brasileiro em uma nova fronteira para a produção de biocombustíveis, sem competir com áreas que hoje são usadas para o cultivo de alimentos.

☀️ Ondas de calor podem matar 90 mil europeus por ano em 2100

Se nada for feito para evitar isso, 90 mil europeus podem morrer a cada ano devido às ondas de calor até o final do século, alertou, nesta quarta-feira (9), a Agência Europeia do Meio Ambiente (EEA).

“Sem medidas de adaptação, sob um cenário de aquecimento global de 3°C em 2100, 90 mil europeus poderiam morrer por ondas de calor todos os anos”, disse a EEA.

Com o aquecimento de 1,5°C, meta do acordo de Paris, esse número cai para 30 mil mortes por ano, indica o relatório, baseado em um estudo publicado em 2020.

Entre 1980 e 2020, cerca de 129 mil europeus morreram de calor, com uma forte aceleração no período recente.

A combinação de ondas de calor mais frequentes com o envelhecimento da população e o aumento da urbanização está tornando os europeus mais vulneráveis às altas temperaturas, em especial no sul do continente, segundo a agência da União Europeia.

🌳 Compromissos com as florestas estão longe do necessário para alcançar o Acordo de Paris

Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) conclui que o mundo não está no caminho certo para atingir as metas florestais para acabar e reverter o desmatamento até 2030. O objetivo é fundamental para a meta de 1,5°C do Acordo de Paris.

Para que as metas de 2030 permaneçam dentro do alcance, um marco de uma gigatonelada de reduções de emissões das florestas deve ser alcançado até 2025, e anualmente depois disso. O estudo envolveu o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e parceiros.

O relatório “Fazendo o bem no Pacto Climático de Glasgow” (🇬🇧) conclui que os atuais compromissos públicos e privados de investir nas reduções de emissões são 24% da meta do marco. Apenas cerca de metade desses compromissos foram concretizados por meio de acordos de redução de emissões assinados e nenhum dos financiamentos para esses compromissos ainda foi desembolsado.

(com AFP)

Curto Verde é um apanhado diário do que você precisa saber sobre meio ambiente, sustentabilidade e demais temas ligados à nossa sobrevivência e do planeta.

(🚥): pode exigir registro e/ou assinatura 

(🇬🇧): conteúdo em inglês

(*): conteúdos em outros idiomas são traduzidos pelo Google Tradutor

Este post foi modificado pela última vez em 13 de dezembro de 2022 15:15

Isabella Caminoto

Advogada e mestranda em Direito Internacional, tenho a democracia e a liberdade como bandeiras irrenunciáveis. Sou apaixonada pelos animais e acredito que o bem-estar do nosso planeta deveria ser o destaque diário da pauta da nossa sociedade.

Posts recentes

Copa do Mundo 2026 aposta em IA para proteger jogadores de ataques online

A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México,…

6 de junho de 2026

Trump assina ordem executiva para revisar IA antes do lançamento e reacende debate sobre regulação nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira (2) uma nova ordem executiva…

3 de junho de 2026

IA na saúde mental herda preconceitos humanos — e pesquisadores alertam para riscos invisíveis

A rápida expansão da inteligência artificial (IA) na saúde mental vem sendo tratada como uma…

28 de maio de 2026

Estudo de Stanford expõe viés racial em ferramentas de IA usadas para contratação

A promessa de neutralidade da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho acaba de sofrer…

27 de maio de 2026

Papa Leão XIV lança manifesto histórico sobre IA e alerta: “Nenhum algoritmo pode substituir a humanidade”

A inteligência artificial (IA) acaba de entrar oficialmente no centro do debate moral da Igreja…

26 de maio de 2026

Google resolve nove problemas matemáticos inéditos com IA e acelera corrida por descobertas científicas

A disputa entre gigantes da inteligência artificial (IA) acaba de atingir um novo patamar —…

25 de maio de 2026