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O governo de Donald Trump está inaugurando uma nova era na fiscalização da imigração, marcada pelo uso intensivo de inteligência artificial (IA), segundo reportagem da CNN. O Departamento de Segurança Interna (DHS) vai adotar o ImmigrationOS, plataforma que centraliza todas as etapas da deportação em um único sistema: autorizar operações, registrar prisões, gerar documentos legais e encaminhar pessoas para centros de detenção ou voos de retorno.
Segundo Todd Lyons, diretor interino do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), a ideia é tornar as ações tão eficientes quanto as entregas comerciais. “Como o Prime (Amazon), mas com seres humanos”, declarou em abril, durante a Border Security Expo. A comparação ilustra como os algoritmos passam a organizar rotas e prioridades, acelerando processos antes conduzidos manualmente.
O ImmigrationOS não se limita a registros migratórios. Ele integra relatórios de atividades suspeitas, dados bancários usados em investigações de terrorismo, informações da Receita Federal e até estatísticas do censo. Assim, pode identificar desde suspeitas de fraude de identidade até trabalhadores em situação irregular.
Para especialistas ouvidos pela CNN, o ponto crítico está no caráter prescritivo do sistema. Steven Hubbard, do American Immigration Council, alerta que a IA deixou de apenas sinalizar casos para também orientar agentes sobre quais passos seguir. Isso reduz a margem de julgamento humano e aumenta o risco de erros ou vieses em operações que afetam milhares de imigrantes.
O contrato para desenvolver a plataforma, avaliado em quase US$ 30 milhões, foi firmado com a empresa Palantir, já usada pelo Departamento de Defesa. Ex-funcionários do DHS alertam para a dependência crescente da companhia, que agora fornece ferramentas essenciais para a infraestrutura de fiscalização migratória.
Outro fator inédito é a descentralização. Antes, sistemas semelhantes eram geridos pela sede do ICE. Agora, agentes em campo terão acesso direto ao ImmigrationOS para tomar decisões em tempo real. Críticos afirmam que isso amplia a possibilidade de ações automatizadas sem a devida supervisão.
Especialistas lembram que a eficiência pode ter custos altos. Auditorias de documentos trabalhistas, por exemplo, podem se tornar rápidas demais, sacrificando análises criteriosas. “A IA é boa, mas não tão boa quanto um ser humano”, disse um ex-dirigente do DHS. Já o ex-diretor do ICE John Sandweg, do governo Obama, destaca que a tecnologia pode ser útil em casos de terrorismo, mas questiona seu uso em operações rotineiras, como batidas em locais de trabalho.
Com o ImmigrationOS, a administração Trump transforma deportações em uma operação de logística de dados, com rapidez e alcance inéditos. Para críticos, essa modernização representa também uma ameaça à transparência e aos direitos civis. O debate agora não é se a IA pode ser útil, mas como será usada — e quem pagará o preço por sua velocidade.
Este post foi modificado pela última vez em 22 de setembro de 2025 12:24
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