[gtranslate]

O aumento de autodiagnósticos de TDAH e uso de medicação sem prescrição médica

"Acho que tenho TDAH". Essa é uma frase que muita gente já deve ter ouvido — ou até falado. O autodiagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade são comuns na internet. O que acende o alerta para o uso de medicações sem prescrições médicas.

Publicado por
Danielly Oliveira

As buscas pelo medicamento Venvanse dispararam em 2022, de acordo com dados do Google Trends. A droga, derivada da anfetamina, é um utilizada principalmente no tratamento do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Acontece que, por ser um estimulante do sistema nervoso central, o Venvanse caiu no gosto brasileiro. Não é raro encontrar pessoas compartilhando suas impressões e resultados após o uso do medicamento. Os públicos mais atraídos são executivos e estudantes, que buscam melhor performance em suas jornadas longas de trabalho e estudos.

Riscos e falta de medicação

O médico psiquiatra Gusttavo Fernandes explica que o uso errático do Venvanse apresenta vários riscos. “Aumento da pressão arterial, arritmia, palpitação, insônia, agitação, perda do apetite, ansiedade exacerbada e irritabilidade são alguns dos sintomas”.

Segundo o especialista, remédios da classe dos psicoestimulantes, como o Venvanse, têm potencial para abuso e podem causar danos à saúde. “Além dos riscos e efeitos colaterais adversos associados ao uso indiscriminado do Venvanse, é importante destacar que essa prática pode ter um impacto negativo adicional”, afirma.

O uso não autorizado e sem necessidade do medicamento pode levar a um aumento na demanda e ao desabastecimento do Venvanse nas farmácias, como já aconteceu em 2022.

A ação prejudica pacientes que realmente necessitam do medicamento para o tratamento do TDAH. Em setembro do ano passado, a Associação Brasileira do Déficit de Atenção chegou a publicar uma nota resposta ao comunicado da fabricante do Venvanse, Takeda, sobre a falta do medicamento nas farmácias.

Autodiagnóstico de TDAH

Outro fator que colabora para a alta procura dessas medicações é o autodiagnóstico de TDAH. Além de contribuir para o consumo desnecessário de remédios, essa atitude prejudica a compreensão e o apoio adequado ao transtorno. “Isso pode levar à falta de acesso a diagnóstico e tratamento profissional, resultando em consequências negativas para a saúde”, pontua o médico psiquiatra.

Fernandes também explica que a romantização da internet estigmatiza e descredibiliza o TDAH, dificultando a aceitação e o suporte social. Além disso, a banalização dos sintomas, impulsionada por vídeos no TikTok com informações falsas ou confusas, leva a uma compreensão inadequada do transtorno.

“Essa desinformação reduz a seriedade do TDAH, dificultando o reconhecimento da necessidade de diagnóstico e tratamento adequados”.

Realizar um autodiagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade — ou até mesmo fazer testes de internet — e não procurar ajuda médica pode apresentar vários riscos. “É importante entender que o TDAH é um distúrbio neuropsiquiátrico complexo que requer avaliação e diagnóstico adequados por um especialista, como psiquiatra ou neurologista”, afirma Fernandes.

Um autodiagnóstico pode levar a erros na interpretação dos sintomas e a um diagnóstico incorreto, o que resulta em tratamento inapropriado. A falta de acompanhamento também impede o acesso ao tratamento que pode envolver psicoterapia e medicamentos. Sem esses cuidados, podem surgir complicações psicossociais, como dificuldades de relacionamento, problemas acadêmicos, baixa autoestima, ansiedade e depressão.

“O importante é a pessoa sempre procurar ajuda profissional, e nunca tentar se consultar com o ‘Dr. Google’ ou se automedicar, principalmente com remédios controlados igual o Venvanse”, relata o psiquiatra.

@curtonews

“Acho que tenho TDAH”. Essa é uma frase que muita gente já deve ter ouvido — ou até falado. O autodiagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é comum na internet, o que acende o alerta para o uso de medicações sem prescrições médicas.

♬ som original – Curto News

Leia também:

Este post foi modificado pela última vez em 6 de junho de 2023 14:21

Danielly Oliveira

Posts recentes

Copa do Mundo 2026 aposta em IA para proteger jogadores de ataques online

A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México,…

6 de junho de 2026

Trump assina ordem executiva para revisar IA antes do lançamento e reacende debate sobre regulação nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira (2) uma nova ordem executiva…

3 de junho de 2026

IA na saúde mental herda preconceitos humanos — e pesquisadores alertam para riscos invisíveis

A rápida expansão da inteligência artificial (IA) na saúde mental vem sendo tratada como uma…

28 de maio de 2026

Estudo de Stanford expõe viés racial em ferramentas de IA usadas para contratação

A promessa de neutralidade da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho acaba de sofrer…

27 de maio de 2026

Papa Leão XIV lança manifesto histórico sobre IA e alerta: “Nenhum algoritmo pode substituir a humanidade”

A inteligência artificial (IA) acaba de entrar oficialmente no centro do debate moral da Igreja…

26 de maio de 2026

Google resolve nove problemas matemáticos inéditos com IA e acelera corrida por descobertas científicas

A disputa entre gigantes da inteligência artificial (IA) acaba de atingir um novo patamar —…

25 de maio de 2026