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Pesquisas eleitorais: como são feitas e onde acompanhar?

8-ago 13:37
5 min
Créditos da imagem: Antonio Augusto/Ascom/TSE

Tem gente que torce o nariz para pesquisas eleitorais, argumentando que o resultado das eleições pode ser diferente do que apontam os levantamentos. Você sabe por que as pesquisas são importantes e como funcionam? O Curto te explica.

Todo ano de eleição há quem publique notícias falsas ou plante dúvidas sobre a importância da pesquisa eleitoral. E tem gente que questiona se as pesquisas são relevantes, já que, não raro, o resultado das urnas pode ser diferente do que os levantamentos apontavam. Isso, de fato, pode acontecer. Mas é importante lembrar: os dados que aparecem nas pesquisas de intenção de voto são como uma fotografia de momento, mostram quem está na frente e apontam tendências de queda ou crescimento.

Este vídeo do Politize! explica o sentido de uma pesquisa pré-eleitoral:

Portanto, as pesquisas de intenção de voto não têm o poder de prever o resultado da eleição, apenas mostrar caminhos e tendências. Tudo pode mudar diante de fatos novos, em semanas, dias e até horas. Quem tinha intenção de votar em X decide, na última hora, votar em Y? E as próprias pesquisas podem influenciar essa mudança de pensamento, portanto, elas são parte importante no cenário eleitoral.

Serve pra quê?

As pesquisas avaliam as intenções de votos para a próxima eleição e servem como um termômetro para o eleitorado, já que, em alguns casos, o eleitor muda o voto de acordo com o candidato que está a frente nas pesquisas.

Esse fenômeno pode ser chamado de “voto útil”: o eleitor escolhe o candidato que pode derrotar aquele que ele não quer ver na cadeira de presidente (ou governador, prefeito, senador e até deputado).

Os levantamentos pré-eleição também servem como termômetro para os partidos políticos, que medem a popularidade de seus candidatos .

As pesquisas ainda ajudam a orientar os veículos de comunicação na escolha dos candidatos que vão participar de debates. Aqueles com menos de 1% de intenções de voto ficam de fora. É uma forma de otimizar o tempo do debate e concentrar as falas naqueles que estão com mais chances de ganhar. Por isso, os debates (TV, rádio e sites) costumam apresentar apenas os primeiros colocados nas pesquisas.

Margem de erro

A margem de erro, também chamada de intervalo de confiança, é um cálculo matemático feito a partir da mostra existente na pesquisa (quantas pessoas foram ouvidas), para indicar se os resultados são mesmo um reflexo do que pensa a população total.

Como uma pesquisa não é feita em cima de valores absolutos e sim em estimativas (estatísticas), sempre haverá uma margem de erro. Ao definir o número de entrevistados, é possível identificar a margem de erro da pesquisa, quer dizer, o quanto aquele resultado está perto ou longe do real.

Os índices padrão no mercado são 2 pontos percentuais de margem de erro com 95% de nível de confiança. Isto é, se a pesquisa for repetida 100 vezes, em 95 delas os resultados estarão dentro da variação de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

A margem de erro das pesquisas é frequentemente origem de memes na internet

Quem paga uma pesquisa?

Geralmente, as pesquisas são encomendadas por grandes instituições financeiras e têm um alto custo, entre R$100 mil e R$200 mil. Mas há também veículos de imprensa que financiam suas próprias pesquisas, como é o caso do Datafolha.

Depois de encomendar ao levantamento a um instituto de pesquisa e acertar o preço, a organização começa a selecionar as pessoas por classe, idade, gênero. Essa seleção é chamada de variável e a seleção acontece de forma aleatória, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se de uma amostragem da população brasileira.

O grupo pode variar entre cidades grandes, médias ou pequenas. Para esse tipo de pesquisa não existe um número exato de participantes, mas costuma ser entre 1 mil e 4 mil pessoas.

Os entrevistadores abordam cidadãos nas residências, nas ruas ou por telefone. Cerca de 20% dos entrevistados recebem um retorno dos pesquisadores para conferir se os dados passados estão corretos.

Enquete nas redes sociais

As enquetes realizadas nas redes sociais não servem como estatística. Em 2019, 82,7% da população tinha acesso a internet, mas nem todos tem acesso às redes sociais, segundo dados do IBGE. Nas enquetes realizadas pelas redes, o eleitor procura a pesquisa e o algoritmo o encaminha para as “enquetes” com as quais os usuários mais se identificam.

Ou seja, é mais provável que um eleitor de Lula, por exemplo, veja mais enquetes de páginas de esquerda do que um eleitor de Bolsonaro. Nas redes sociais, os usuários podem criar e votar por mais de uma conta e, por esse motivo, as enquetes podem ser manipuladas. Fique de olho!

Acompanhe as pesquisas:

Curto Curadoria:

Foto de destaque: Antônio Augusto/Ascom/TSE

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