Além da disputa Lula-Bolsonaro pela presidência, no domingo (2) os brasileiros votarão para escolher governadores, senadores, deputados federais e estaduais. No total, 1.627 cargos serão definidos nestas eleições. Mais de 156 milhões de brasileiros estão registrados para votar.
Uma vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera as pesquisas à frente do presidente Jair Bolsonaro (PL), representaria uma nova guinada à esquerda do país e a volta ao poder do Partido dos Trabalhadores (PT).
Mas as pesquisas também apontam a possibilidade de outra grande novidade para domingo.
O PT nunca venceu o governo do estado de São Paulo, grande motor econômico do país, mas seu candidato, Fernando Haddad, lidera as pesquisas.
O ex-prefeito da cidade de São Paulo, candidato derrotado por Bolsonaro na disputa presidencial de 2018, lidera as pesquisas com 35% das intenções de voto.
Em seguida aparecem Tarcísio de Freitas (26%), ex-ministro da Infraestrutura do governo Bolsonaro, e o atual governador Rodrigo Garcia (18%), segundo a pesquisa Datafolha de quinta-feira (29).
Os índices apontam que a disputa será definida apenas no segundo turno, em 30 de outubro.
Além de presidente e vice-presidente da República, o país escolherá os governadores dos 26 estados e do Distrito Federal, os 513 nomes da Câmara dos Deputados e um terço do Senado (27 de 81 cadeiras), assim como os representantes das assembleias legislativas estaduais.
Todos os mandatos são de quatro anos, com exceção para os senadores, que têm oito anos de mandato.
Dois terços dos candidatos são homens.
O grande número de partidos políticos dificulta qualquer tentativa de controlar o Congresso e o vencedor da eleição presidencial precisará negociar, em particular com o Centrão, um bloco informal de políticos do qual depende boa parte da governabilidade no Brasil.
Mais de 10.000 candidatos buscam uma vaga na Câmara dos Deputados e 241 no Senado.
Mais de 85% dos deputados federais, e 20 dos 27 governadores buscam a reeleição, com grandes chances de vitória, segundo os analistas.
E 13 senadores também tentam a reeleição.
A política brasileira é marcada por uma fragmentação crônica – 23 partidos têm representantes no Congresso atualmente -, mas pela primeira vez os partidos poderão ser agrupados em federações, que devem permanecer unidas durante pelo menos quatro anos.
E isto dificulta ainda mais prever o equilíbrio de forças a partir de janeiro de 2023.
A esquerda, com o PT à frente, pode crescer de 121 deputados atualmente para quase 150, enquanto o Centrão e os bolsonaristas disputarão o eleitorado mais conservador.
“O Centrão e os grupos bolsonaristas entrarão em uma luta fratricida pelas vagas remanescentes”, escreveu o cientista político Ricardo de João Braga no site Congresso em Foco.
Dos mais de 28.000 candidatos, a maioria se define como pardo ou negro (50,3%), algo inédito.
O crescimento possivelmente foi impulsionado por outra novidade desta disputa: votos dados a mulheres e pessoas negras contarão em dobro para a distribuição de recursos do Fundo Eleitoral entre os partidos, após lei eleitoral para estimular uma maior representatividade no Congresso.
(Com AFP)
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