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ANÁLISE: Para controlar o caos, Trump terá que fazer “O Recuo 2”. Será que vai?

Publicado por
João Caminoto

Mais um dia, mais uma retaliação. Nesta sexta-feira, foi a vez da China elevar de 84% para 125% suas tarifas de importação para produtos dos Estados Unidos, com validade prevista para começarem a valer neste sábado (12).

O governo chinês chamou a política tarifária de Donald Trump de “piada” e disse que não pretende continuar elevando as taxas para acompanhar as impostas pelos Estados Unidos – atualmente em 145% – sobre produtos chineses.

“A imposição de tarifas anormalmente altas pelos EUA à China viola seriamente as regras econômicas e comerciais internacionais, as leis econômicas básicas e o bom senso, além de ser uma forma de intimidação e coerção completamente unilateral”, afirmou o ministério das Finanças da China

Diante disso, a insegurança, nervosismo e volatilidade continua assolando os mercados financeiros mundiais. Ontem, após a euforia com o recuo de Trump, novas perdas foram registradas nas principais bolsas de valores do mundo. Nesta sexta-feira o cenário é misto e indefinido.

Dólar em queda

Dois movimentos causam particular preocupação, como mencionamos ao longo desse semana:

  • Há um forte movimento de venda dos Treasuries, os títulos emitidos pelo Tesouro dos Estados Unidos. Com essa debandada, os juros pagos por esses papéis estão em alta, com o Treasury de 10 anos oferecendo uma taxa de quase 4,5%. Importante ressaltar que esses papéis sempre foram considerados os mais seguros em momentos de crise aguda no mundo. Pelo jeito, essa percepção histórica está ameaçada. Segundo a Bloomberg, os Treasuries estão agora sendo negociados como ativos de risco, o que deveria servir de alerta para Trump sobre a gravidade da situação.
  • O dólar americano também está em queda, com investidores migrando para outras moedas fortes. O Euro, por, exemplo, atingiu hoje a sua maior cotação diante do dólar dos últimos 3 anos.
  • O preço ouro continua se beneficiando dessa corrida por ativos seguros, com forte alta.
Riscos aumentam

Com dissemos aqui, apenas um recuo amplo e inquestionável de Trump em seu tarifaço teria condições de acalmar de uma forma sustentável. Na quarta-feira, Trump até que tentou, mas o recuo foi considerado insuficiente pois as tarifas impostas por ele continuam elevadas. Resta ver se ele vai recuar novamente, dessa vez de uma forma contundente.

Enquanto isso, com essa situação de estresse global, a cada dia que passa aumentam os riscos de emergirem vítimas inesperadas nos mercados financeiros.

Sem falar, nos impactos políticos, que estão em curso e são muito graves também. Mas isso fica para uma próxima.

Bom fim de semana.

Este post foi modificado pela última vez em 11 de abril de 2025 09:52

João Caminoto

Jornalista com mais de 30 anos de experiência, ocupei diversos cargos - desde repórter, passando por correspondente internacional até diretor de redação - em diversas casas, como o Estadão, Broadcast, Época, BBC, Veja e Folha. Me sinto privilegiado em ter abraçado essa profissão. Apaixonado pela minha família e pelo Corinthians.

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