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Inteligência Artificial

Jovens britânicos já aprendem com IA — mas querem ajuda dos professores para usá-la com segurança

Publicado por
Isabella Caminoto

A inteligência artificial (IA) está revolucionando o aprendizado em escolas do Reino Unido. De acordo com o relatório Teaching the AI-Native Generation, publicado pela Oxford University Press, oito em cada dez adolescentes britânicos de 13 a 18 anos já usam ferramentas de IA para fazer trabalhos escolares. O estudo, que ouviu dois mil alunos em agosto de 2025, revela entusiasmo, mas também preocupação: muitos jovens querem aprender a usar a tecnologia de forma ética e segura. Embora restrito ao Reino Unido, o estudo traz várias conclusões similares ao constatado entre jovens brasileiros.

Estudantes reconhecem benefícios, mas temem perda de criatividade

Mais de 90% dos alunos afirmam que a IA os ajudou a desenvolver alguma habilidade escolar, como resolver problemas, pensar de forma criativa e se preparar para provas. Muitos relatam que essas ferramentas tornam o estudo mais rápido e ajudam a organizar ideias de forma mais clara.
Por outro lado, seis em cada dez estudantes acreditam que o uso de IA também trouxe efeitos negativos. Um quarto deles diz que a tecnologia torna o aprendizado “fácil demais”, levando à dependência. Outros 10% afirmam que a IA reduz sua capacidade criativa e limita a escrita autoral. “Ela responde por mim, sem que eu precise pesquisar”, disse um estudante de 13 anos ouvido no levantamento.

Falta confiança nas informações geradas pela IA

O relatório mostra uma lacuna preocupante: menos da metade dos jovens se sente capaz de identificar informações falsas criadas por inteligência artificial. Um terço admite não saber distinguir o que é verdadeiro ou não, e 21% estão inseguros.
As diferenças regionais também chamam a atenção. Estudantes de Londres, por exemplo, demonstram maior uso de IA, mas também maior desconfiança quanto à veracidade dos conteúdos.

Jovens pedem apoio dos professores

Quase metade (48%) dos alunos quer que os professores os ajudem a entender o que é conteúdo confiável produzido por IA. Além disso, 51% pedem mais clareza das escolas sobre quando e como essas ferramentas devem ser usadas nas tarefas.
Os estudantes também percebem que muitos professores ainda não dominam o tema: um terço acredita que seus educadores não se sentem confiantes ao aplicar IA em sala de aula. Mesmo assim, boa parte quer que o uso da tecnologia aumente nas atividades escolares.

Escolas começam a se adaptar

O relatório apresenta o caso da Bishop Vesey’s Grammar School, em Sutton Coldfield, onde o professor Daniel Williams criou um programa de capacitação interna para docentes. Ele afirma que, embora os alunos reconheçam o valor da IA, muitos ainda a utilizam como atalho, não como ferramenta de aprendizado. “Nosso desafio é formar professores e estudantes para usar a IA de modo crítico e responsável”, explicou.
A escola agora inclui temas sobre IA nas aulas de cidadania digital e realiza assembleias sobre o uso ético da tecnologia.

Para os especialistas da Oxford University Press, a IA deve ser usada como apoio ao pensamento e à criatividade, não como substituta da reflexão humana. “A educação continua com o mesmo propósito: formar pessoas que pensem de forma independente e criativa”, resume a professora Olga Sayer.

Entusiasmo e preocupação entre educadores brasileiros

No Brasil, o cenário não é muito diferente. Embora ainda faltem pesquisas tão amplas quanto a britânica, levantamentos do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB) e da UNESCO indicam que o uso de ferramentas de inteligência artificial entre alunos brasileiros vem crescendo rapidamente desde 2023. Plataformas como ChatGPT, Gemini e Copilot já fazem parte da rotina de adolescentes de escolas públicas e particulares, especialmente nas grandes cidades. Muitos estudantes utilizam essas ferramentas para revisar conteúdos, traduzir textos, gerar resumos e até escrever redações — práticas que despertam tanto entusiasmo quanto preocupação entre educadores.

Ao mesmo tempo, as escolas brasileiras ainda enfrentam grandes desigualdades de acesso à tecnologia. Enquanto algumas redes particulares criam projetos de “educação com IA” e capacitam professores para explorar as novas ferramentas em sala de aula, muitas escolas públicas ainda carecem de infraestrutura digital e formação docente adequada. Especialistas defendem que o Brasil precisa investir com urgência em alfabetização digital e pensamento crítico, para que os jovens saibam usar a inteligência artificial de forma ética, segura e criativa — e não apenas como um atalho para fazer tarefas escolares.]

Este post foi modificado pela última vez em 15 de outubro de 2025 09:56

Isabella Caminoto

Advogada e mestranda em Direito Internacional, tenho a democracia e a liberdade como bandeiras irrenunciáveis. Sou apaixonada pelos animais e acredito que o bem-estar do nosso planeta deveria ser o destaque diário da pauta da nossa sociedade.

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